Boletim Epidemiológico nº 02/2020 Covid-19 (SARS-COV-2) - Dados atualizados em: 27/05/2020

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De acordo com o Ministério da Saúde (MS), em 27/05/2020, a situação dos casos por Covid-19 no território nacional totalizou 411.821 confirmados (representando 196 casos/100 mil habitantes), sendo que 25.598 destes evoluíram para óbito até esta data. Já foram registrados óbitos em todas as unidades da federação. O Estado de Santa Catarina, com taxa de incidência de 102,9 casos/100 mil habitantes, ocupa a 20ª posição no ranking entre as unidades federativas (UF) conforme mostra a distribuição no gráfico 1.

 

 

Santa Catarina

O primeiro caso de COVID-19 foi identificado no estado em 13/03/2020 no entanto os casos são contabilizados pela data do início dos sintomas, que ocorreu em 28/02/2020. Até o final de março houve uma expansão no número de casos novos, atingindo pouco mais de 1.000 registros no Estado, oficialmente infectados. Em menos de vinte dias o número de casos dobrou atingindo 2.139 pessoas em 20 de abril e dobra novamente num período de 15 dias, de forma que em 04/05/2020 o estado registrava 4.061 casos por COVID-19. Portanto, desde a primeira confirmação até os dados atualizados em 27/05/2020, período vigente da Semana Epidemiológica (SE) 22, foram confirmados, considerando-se as diferentes definições de caso empregadas no período, 7.732 casos e deste total, 126 evoluíram para óbito. A taxa de incidência na presente data foi de 102,9 casos/100 mil habitantes e taxa de mortalidade de 1,8 casos/100 mil habitantes. A figura 1 apresenta a distribuição dos casos acumulados segundo a data de início dos sintomas. Observa-se que houve um aumento de 22% no número de casos confirmados no estado quando comparados os últimos dez dias das série temporal (período de 16/05/2020 à 26/05/2020).

Analisando a distribuição de casos por semana epidemiológica observa-se que houve um aumento do número de casos a partir da 17ª semana, onde o estado registrava 786 casos, passando para 1.343 casos registrados na 20ª semana e uma redução para 983 casos na 21ª semana. Considerando os casos acumulados por semana epidemiológica, segundo a data de início dos sintomas, observa-se que o número de casos dobrou da 18ª SE para a 22ª SE, passando de 3.783 para 7.372 casos confirmados por COVID-19. Dados podem ser verificados nas figuras 2 e 3. 

 

A figura 4 mostra a distribuição dos principais sinais e sintomas apresentados pelos casos confirmados de Covid-19, sendo o sintoma mais prevalente a tosse presente em 52% dos casos, seguido por febre relatado em 45% dos casos. Menos frequente foram constatados a dor de garganta (29%), dor de cabeça (22%) e falta de ar (21%).

A tabela 1 apresenta os dados de casos por COVID-19 e sua distribuição geográfica por região de saúde. De um modo geral, nota-se que as maiores taxas de incidência se concentram no Alto Uruguai Catarinense com 617,9 casos por 100 mil habitantes seguido da região Oeste com 280,4 casos por 100 mil habitantes. Na região do Alto Vale do Rio do Peixe se concentra a maior taxa de letalidade com 4,35% o que reflete o baixo número de infectados na região (n=46) e a maior taxa de mortalidade se localiza no Alto Uruguai Catarinense com 4,87 óbitos por 100 mil habitantes, seguido pelo Extremo Sul Catarinense com 3,46 óbitos por 100 mil habitantes. O número absoluto de óbitos destas regiões é menor se comparado com a região Nordeste, no entanto a população é muito menor o que afeta diretamente este tipo de indicador. 

Dentre os municípios do Estado que apresentam o maior número de casos confirmados destaca-se: Chapecó (n=829), Florianópolis (n=628), Concórdia (n=560), Blumenau (n=494) e Joinville (n=374) (tabela 2). A tabela 1 mostra o ranking dos municípios com maiores taxas de incidência do estado (casos por 100 mil habitantes), liderado pelo município de Entre Rios (1.779 casos/100mil habitantes), Lindóia do Sul (1.227 casos/100 mil habitantes) e Concórdia (560 casos/100 mil habitantes). Estes municípios podem registrar um menor número absoluto de casos, quando comparados a outros municípios (tabela 2), entretanto por possuírem uma população relativamente pequena (menor que 10.000 habitantes) impacta em uma taxa de incidência elevada, quando comparados a municípios de grande porte (maior que 300.00 habitantes). O mapa 1 apresenta a distribuição espacial dos casos por município de residência. Os dados completos de todos os municípios do estado com casos confirmados e taxas de incidência por Covid-19 podem ser verificados no Anexo 1.

 

 

ÓBITOS

Na Figura 5, apresenta-se a distribuição dos óbitos confirmados para COVID-19 segundo data do óbito. O estado registrou até 28/05/2020 131 óbitos e uma taxa de letalidade de 1,72. A média de tempo entre a data de início dos sintomas e a data do óbito para os casos com confirmação de COVID-19 foi de 17 dias. Ressalta-se que a queda das curvas no final do período avaliado (23/05) não indica necessariamente uma diminuição no número de casos, apenas que esses casos podem ainda ser atualizados no sistema.

Observa-se que houve dois picos no número de casos de óbitos em 24 de maio com um total de 7 óbitos e em 26 de maio com 10 óbitos ocorridos no mesmo dia. A figura 6 mostra a distribuição dos óbitos por data.

Na figura 7 a geografia da COVID-19 mostra que na presente data as regiões mais atingidas são a região Nordeste totalizando 22,61% dos casos de óbitos, Foz do Rio Itajaí com 20,87% dos óbitos, seguida pela Grande Florianópolis com 11,30% dos óbitos.  As regiões menos atingidas são o Alto Vale do Rio do Peixe com 1,74% dos óbitos e o Alto Vale do Itajaí com 3,48%.

Ao analisar a distribuição dos óbitos por faixa etária, observa-se o aumento da taxa de mortalidade aumenta conforme a idade em ambos os sexos (Figura 8), ou seja o risco de morte se eleva no sentido das faixas etárias mais avançadas. O sexo masculino é mais afetado em todas as faixas etárias mas principalmente conforme aumenta a idade, quando comparado ao sexo feminino. A taxa de mortalidade entre os homens com idades entre 70 e 79 anos é de 17,62 casos/100 mil habitantes e nas mulheres de 6,98 casos/ 100 mil habitantes, na faixa etária entre 80 a 89 anos aumenta para 45 casos/100 mil habitantes no sexo masculino e 18,1 casos/ 100 mil habitantes no sexo feminino.

A figura 9 indica em relação a escolaridade 70% dos óbitos registrados por COVID-19 ocorreram em indivíduos com menos de 8 anos de estudo, com até o ensino fundamental completoe 10% destes eram analfabetos. A menor proporção de mortes entre indivíduos com ensino superior pode estar relacionada a tendência de ampliação da disseminação do vírus observada entre os estratos socioeconômicos mais vulneráveis.

Observando os sinais e sintomas a figura 10 mostra a alta prevalência dos sintomas que caracterizam a SRAG entre os óbitos por COVID-19 com predomínio de tosse (85%), febre (73%) e dor de cabeça (7%). Chama atenção que 90% dos indivíduos que evoluíram para óbito apresentaram falta de ar.

Dentre os óbitos confirmados para COVID-19, 80% das pessoas apresentaram pelo menos uma comorbidade. Esta prevalência é de 38% para doenças coronarianas, 41% para hipertensão, 37% para Diabetes Melittus e 26% dos óbitos tinham doença pulmonar crônica (figura 11).

 

HOSPITALIZAÇÕES POR SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE (SRAG)

A figura 12 apresenta o número de hospitalizações por Síndrome Respiratória Aguda Grave em 2019 e 2020 no estado, por semana epidemiológica, observa-se um aumento nas hospitalizações de SRAG em Santa Catarina a partir da semana epidemiológica número 9 no ano de 2020, quando comparada ao ano de 2019. Ao total foram hospitalizados 789 indivíduos até a semana 22 do ano de 2019 e o mesmo período em 2020 foram hospitalizados 3.139 pessoas.

A figura 13 mostra as hospitalizações conforme a classificação final, por semana epidemiológica, sendo analisada separadamente os casos de Covid-19, SRAG não especificada, SRAG por influenza, SRAG por outros vírus respiratórios, SRAG por outros vírus respiratórios.   Observa-se que a partir da 12 semana houve um aumento importante de SRAG não especificada e casos em branco/em investigação em 2020 quando comparada ao ano de 2019. 

ANEXO 1

 



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