Dive/SC e Atenção Básica intensificam capacitação de equipes de saúde da família no combate à epidemia de sífilis em Santa Catarina

Discutir e aprimorar o cuidado às gestantes durante o pré-natal, em especial na triagem e no tratamento das Doenças Sexualmente Transmissíveis, é o objetivo da capacitação técnica que está sendo recomendada pela Secretaria da Saúde de Santa Catarina. O expressivo aumento dos casos de sífilis em adultos, gestantes e em bebês no estado é o fator motivador da iniciativa planejada pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive/SC) em parceria com a Atenção Básica.

“A consequência mais trágica dessa situação é um crescimento de 500% no número de casos de sífilis congênita nos últimos seis anos, ou seja, transmissão da doença da mãe para o bebê. A sífilis congênita é totalmente evitável, desde que a gestante seja diagnosticada oportunamente e tratada adequadamente”, alerta Dulce Maria Brandão de Castro Quevedo, gerente de vigilância das DST/Aids e Hepatites Virais da Dive/SC. Para tanto, segundo ela, é fundamental que todos os membros das equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF) estejam sensibilizados, familiarizados com o tema e preparados para atuar diante de um caso de sífilis gestacional.

Entre 2010 e 2015, 15.797 novos casos de sífilis adquirida foram notificados no estado, um crescimento de 58,4%. Além desses, foram 3.339 novos casos em gestantes (notificadas separadamente) no mesmo período. Os números de sífilis congênita também se elevaram, passando de 76 casos em 2010 para 475 casos em 2015. Nesses últimos seis anos, foram 1.248 casos dentre menores de 1 ano de idade; entre eles, 41 casos de abortos e 58 casos de natimortos por sífilis.

A recomendação da Dive/SC e da Atenção Básica é para que as equipes da ESF assistam a duas webconferências em conjunto de forma a debaterem as questões abordadas, conforme a realidade de cada unidade de saúde. As webconferências “Manejo da Sífilis na Atenção Básica” e “Uso da Penicilina na Atenção Básica” estão disponíveis na plataforma do Telessaúde Santa Catarina:  https://telemedicina.saude.sc.gov.br. “Devemos refletir sobre as nossas implicações éticas e profissionais nesse contexto e que precisamos enfrentar juntos essa grave situação”, reforça Dulce.

 

O que as equipes da Estratégia Saúde da Família precisam saber:

  • A realização do diagnóstico da infecção pelo HIV, sífilis e hepatite B no pré-natal, parto e puerpério, com o uso de Testes Rápidos (TR), possibilita a adoção quase imediata de medidas de profilaxia da transmissão vertical dos agravos, em função da rapidez do diagnóstico;
  • O tratamento da sífilis em gestantes é relativamente simples e a prevenção da sua transmissão para o recém-nascido só pode ser evitado mediante a administração da penicilina benzatina, o único medicamento capaz de atravessar a barreira placentária e tratar simultaneamente o feto;
  • O início do pré-natal não deve ser tardio, porque a prevenção da transmissão da sífilis só é garantida quando o tratamento é iniciado até um mês antes do nascimento do bebê;
  • Na gestação, tratamentos não penicilínicos são inadequados e só devem ser considerados como opção nas contraindicações absolutas ao uso da penicilina;
  • O tratamento com penicilina deve ser iniciado sem hesitação por parte da equipe de saúde. Em casos raríssimos de reações adversas, que podem ser evitadas por meio de anamnese, o protocolo de atendimento estabelecido pelo Departamento de Atenção Básica-DAB/MS deve ser seguido nas Unidades Básicas de Saúde;
  • Caso haja problemas no abastecimento da penicilina benzatina, a sua utilização para o tratamento de gestantes com sífilis deve ser priorizado;
  • A alergia à penicilina na população geral e nas gestantes é um evento muito raro. A possibilidade de reação anafilática à administração de penicilina benzatina é de 0,002%;
  • Os parceiros das gestantes com sífilis devem aderir imediatamente ao tratamento, em concomitância com o tratamento das mulheres;
  • Os parceiros que abandonarem as gestantes em tratamento de sífilis ou que não possuírem vínculo com essas, devem ser testados e notificados, mesmo que não concordem em fazer o tratamento conjuntamente.

 

E mais:

  • O estado de Santa Catariana é endêmico para as hepatites virais B e C;
  • A vacinação para hepatite B em gestante não é contraindicada em qualquer um dos trimestres;
  • Atualmente, o tratamento com antirretrovirais do paciente portador de HIV é indicado para todos;
  • O tratamento do paciente infectado pelo HIV é realizado com 1cp/dia para a maioria das pessoas;
  • O tratamento com antirretrovirais da gestante reduz a chance de transmissão vertical do HIV para menos de 2%;
  • O risco da transmissão vertical do HIV continua por meio da amamentação, mesmo em mães que estão em tratamento com antirretrovirais. Dessa forma, a orientação de não amamentar deve ser feita e receber apoio e auxilio da equipe de saúde. 

 

Informações adicionais para a imprensa:

Letícia Wilson / Patrícia Pozzo
Núcleo de Comunicação
Diretoria de Vigilância Epidemiológica
Secretaria de Estado da Saúde
Fone: (48) 3664-7406 | 3664-7402
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