Boletim Epidemiológico Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa) (Atualizado em 21/03/2019)

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A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC), divulga o resultado do Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa) realizado entre o mês de fevereiro e marçocomparando com a atividade realizada no mesmo período no ano de 2018. 

LIRAa é uma atividade que foi desenvolvida pelo Ministério da Saúde em 2002, sendo realizada pelos municípios considerados infestados pelo Aedes aegypti. Ela permite a identificação de áreas com maior proporção/ocorrência de focos, bem como dos criadouros predominantes, indicando o risco de transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus. A atividade é realizada por meio da visita a um determinado número de imóveis do município, onde ocorre a coleta de larvas para definir o Índice de Infestação Predial (IIP). 

Conforme definido na Estratégia operacional do estado de Santa Catarina, os municípios infestados devem realizar a atividade nos meses de março e novembro.  

 Em março de 2018 a atividade do LIRAa foi realizada por 64 municípios (o município de São José realizou a atividade em maio), destes 17 (26,5%) apresentaram alto risco para a transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, 33 (51,6%) apresentaram médio risco e 14 (21,9%) baixo risco. Destaca-se que, dos 17 municípios com alto risco, 15 estavam localizados na região oeste e 2 na região da Foz do Rio Itajaí. 

Neste ano, 77 municípios foram orientados a realizar o LIRAa em março de 2019. Desses 75 realizaram a atividade e as informações foram enviadas ao Ministério da Saúde. Os municípios de Florianópolis e Navegantes não enviaram informações a respeito da atividade até o momento.  

Dos municípios que realizaram o LIRAa32 (42,7%) apresentaram alto risco para transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, 33 (44%) médio risco e 10 (13,3%) baixo risco, conforme Tabela 1 e Quadro 1. Dos 32 municípios classificados como alto risco, 28 estão localizados na região oeste e 4 na região da Foz do Rio Itajaí (Figura 1). 

Os dados demonstraram um aumento nos municípios classificados com alto e médio risco. Em março de 2018 foram 78,1% dos municípios nessa condição, enquanto nesse ano o percentual subiu para 86,7%. 

Tabela 1: Classificação dos municípios quanto ao risco de transmissão de dengue, zika vírus e febre chikungunya. Santa Catarina, 2018/2019*. 

 

Fonte: LIRAa/LIA (com informações até o dia 21/03/2019). 

Quadro 1Situação dos municípios, segundo Índice de Infestação Predial (IIP). LIRAa/LIA. Santa Catarina, março/2019*. 

 Fonte: LIRAa/LIA (com informações até o dia 21/03/2019). 

Figura 1Situação dos municípios, segundo Índice de Infestação Predial (IIP). LIRAa/LIA. Santa Catarina, 2018/2019. 

(Atualizado em 21/03/2019). 

A atividade do LIRAa fornece informações referentes a quantidade e o tipo de recipientes inspecionados, ou seja, locais que apresentam água, e que podem servir como criadouros para reprodução do Aedes aegypti. Esses dados auxiliam os municípios a discutir e direcionar ações para áreas apontadas como críticas, além de avaliar as atividades desenvolvidas, o que possibilita a otimização de recursos humanos e materiais disponíveis.  

No LIRAa realizado em março de 2018 foram inspecionados 45.705 depósitos. Já na atividade realizada em março de 2019 foram 57.393 depósitos, o que representa um aumento de 25,5% no número de depósitos inspecionados (situação que pode estar associada ao aumento no número de municípios infestados). 

  Conforme a Figura 2, os principais tipos de recipientes inspecionados na atividade realizada em março de 2019 foram: pequenos recipientes móveis, como pratinhos de plantas e baldes (35,7%), lixo e sucata (33,8%)e os recipientes fixos como calhas e piscinas (14,3%). 

Figura 2Número de depósitos inspecionados no LIRAa, março. Santa Catarina, 2018/ 2019.

 

(Atualizado em 21/03/2019). 

Entretanto, é importante destacar que em relação aos recipientes predominantes existem diferenças conforme a Gerência Regional de Saúde (GERSA) analisada (Tabela 2). Os pequenos depósitos móveis foram predominantes nas GERSAS de Concórdia (44%), Grande Florianópolis (48,2%), Itajaí (31,5%), Joaçaba (62,2%), Joinville (37,2%) e Mafra (46,3%).  Os recipientes fixos, como calhas, ralos e piscinas representaram 29,3% dos inspecionadas na GERSA de Itajaí. 

O lixo e a sucata representaram 68,8% dos recipientes inspecionados na GERSA de Araranguá, 41,4% em Blumenau, 45,3% em Chapecó, 35,2% em São Miguel do Oeste e 46,5% em Xanxerê. Quando a análise recai sobre os recipientes naturais, como as bromélias, existiu uma representatividade maior nas GERSAS de Concórdia (23,9%) e Blumenau (11,8%). Em relação ao armazenamento de água elevado, como caixas d´água destacaram-se as GERSAS de Mafra com 4,9% e São Miguel do Oeste com 4,4% do total de recipientes inspecionados. 

Tabela 2: Depósitos inspecionados no LIRAa, por tipo e GERSA. Santa Catarina, março de 2019. 

Salientamos que os IIP apresentados neste Boletim são calculados de forma global para o município, não particularizando a situação de infestação por estrato. Assim, cabe a cada município analisar os dados obtidos levando em consideração os diferentes índices por estrato, bem como os tipos de recipientes prevalentes, objetivando direcionar as ações de controle vetorial adequadas.  

É importante destacar que o aumento no número de municípios classificados como médio e alto riscofavorece a possibilidade de ocorrência de surtos ou epidemias das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti.  

Com essa situação, é fundamental a intensificação das ações de controle envolvendo outras áreas da gestão municipal e da sociedade civil organizada, afim de eliminar e adequar locais que possam acumular água. O controle do Aedes aegypti ainda é a melhor estratégia para evitar a transmissão de dengue, febre de chikungunya e zika vírus no estado de Santa Catarina. 


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