Boletim Epidemiológico n° 04/2020 Vigilância entomológica do Aedes aegypti e situação epidemiológica de dengue, febre de chikungunya e zika vírus em Santa Catarina (Atualizado em 15/02/2020 – SE 07/2020)

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    A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) divulga o boletim n° 04/2020 sobre a situação da vigilância entomológica do Aedes aegypti e a situação epidemiológica de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, com dados até a Semana Epidemiológica (SE) n° 07 (29 de dezembro de 2019 a 15 de fevereiro de 2020).

>>Vigilância entomológica do Aedes aegypti

    No período de 29 de dezembro de 2019 a 15 de fevereiro de 2020, foram identificados 7.610 focos do mosquito Aedes aegypti em 150 municípios. Comparando ao mesmo período de 2019, quando foram identificados 4.942 focos em 138 municípios, observa-se um aumento de 54,0% no número de focos detectados, conforme o Gráfico 1 e a Figura 1.

Em relação à situação entomológica, até a SE nº 07/2020, são 100 municípios considerados infestados, o que representa um incremento de 29,8% em relação ao mesmo período de 2019, que registrou 77 municípios nessa condição, como se pode ver no Quadro 1. Em comparação ao último boletim, houve a inclusão do município de Blumenau como infestado.

 A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos.

 

 

    

 

>>Dengue

    O boletim epidemiológico da DIVE utiliza as informações dos casos suspeitos notificados pelos municípios no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN On-line). Esses dados estão disponíveis para os municípios, Secretarias Estaduais de Saúde e Ministério da Saúde. Diferente do Ministério da Saúde, que divulga os casos prováveis (todos os casos notificados, excluindo-se os descartados), a DIVE divulga os casos confirmados, suspeitos e descartados, por entender que dentre os casos prováveis, muitos estão aguardando resultados laboratoriais e investigação epidemiológica. A divulgação dos casos confirmados e descartados é feita após encerramento da investigação pelo município no SINAN On-line.

    No período de 29 de dezembro de 2019 a 15 de fevereiro de 2020, foram notificados 589 casos de dengue em Santa Catarina. Desses, 69 (12%) foram confirmados (68 pelo critério laboratorial e 1 pelo critério clínico epidemiológico), 237 (40%) foram descartados por apresentarem resultado negativo para dengue e 283 (48%) estão sob investigação pelos municípios (Tabela 1).

    Do total de casos confirmados até o momento, 14 casos são autóctones (transmissão dentro do estado) (Tabela 2), 51 casos são importados (transmissão fora do estado) (Tabela 3), dois (02) casos estão em investigação de LPI e dois (02) casos são indeterminados pois não foi possível definir o LPI. 

 

                         

 

      

 

 

    Na comparação com o mesmo período de 2019, quando foram notificados 520 casos, observa-se um aumento de 13% na notificação de casos em 2020 (589 casos notificados), de acordo com o Gráfico 2.

    Em relação aos casos confirmados, em 2020, até o momento foram confirmados 69 casos no estado, sendo que no mesmo período em 2019 haviam sido confirmados 31 casos (Gráfico 3).

 

  

 

    

 

 

>> Febre de chikungunya

   No período de 29 de dezembro de 2019 a 15 de fevereiro de 2020, foram notificados 76 casos de febre de chikungunya em Santa Catarina. Desses, 30 (39%) foram descartados e 46 (61%) permanecem como suspeitos (Tabela 4).

 

                  

    Em comparação com o mesmo período de 2019, quando foram notificados 95 casos de febre de chikungunya, observa-se uma redução de 20% na notificação de casos em 2020 (76 casos notificados).

    Em 2020, até o momento, não foram confirmados casos no estado; no mesmo período, em 2019, havia sido confirmado três (03) casos.

>> Zika vírus

    No período de 29 de dezembro de 2019 a 15 de fevereiro de 2020 foram notificados 15 casos de zika vírus em Santa Catarina. Desses, seis (06) (40%) foram descartados e nove (09) (60%) permanecem como suspeitos (Tabela 5).  

                                                                     

Em comparação com o mesmo período de 2019, quando foram notificados 24 casos, observa-se uma diminuição de 38% na notificação de casos em 2020 (15 casos notificados).

>> Sala Estadual de Situação de Coordenação e Controle ao Aedes aegypti/SC - SEEC

 

            A Secretaria do Estado da Saúde –SES, é parceira do projeto “Penso, logo destino” do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina - IMA, que participou de reuniões para execução do projeto piloto nos municípios de Angelina e Águas Mornas, na região Grande Florianópolis, com objetivo utilizar a educação ambiental para promover a conscientização e a orientação necessárias para proporcionar a mudança de comportamento com relação ao gerenciamento adequado dos resíduos sólidos. Será realizado em três fases, sendo a fase inicial a logística reversa que conta segundo a legislação nacional com os seguintes produtos: lâmpadas fluorescentes, eletroeletrônicos, óleos lubrificantes, agrotóxicos, pilhas e baterias e pneus, seguidas de Coleta Seletiva de resíduos sólidos e posteriormente com Resíduos Orgânicos.

     No dia 18/02 representantes da Sala de Situação Estadual, Secretaria de Estado da Saúde - SES  e Secretaria de Estado da Educação – SED, se reuniram em Florianópolis, entre os assuntos discutidos estavam: Abordagem do tema de forma interdisciplinar, mobilização da família e comunidade escolar para o controle do Aedes aegypti.

     A Sala Estadual, mantém a orientação que todos os municípios infestados permaneçam com reuniões periódicas das Salas de Situação Municipais, contando com a participação intersetorial, tanto dos órgãos municipais, como da Sociedade Civil Organizada, no intuito de avaliar e desencadear ações de intensificação do controle do Aedes aegypti.  As informações devem ser registradas no link: http://www.dengue.sc.gov.br/view/salaDeSituacao.php

    Informamos que o Levantamento de Índice Rápido para Aedes aegypti (LIRAa) será realizado no mês de março entre os dias 02 e 27, e para isso ocorrerão visitas aos imóveis sorteados, sendo necessário a mobilização da população para realização da atividade, que informará o percentual de infestação pelo mosquito Aedes aegypti e o risco de transmissão das doenças Dengue, Zika e Chikungunya.

>> O que é dengue?

    Dengue é uma doença infecciosa febril causada por um arbovírus, sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Ela é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado.

    A infecção pelo vírus da dengue pode ser assintomática ou sintomática. Quando sintomática, causa uma doença sistêmica e dinâmica de amplo espectro clínico, variando desde formas mais leves (oligossintomáticas) até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. Todos os quatro sorotipos do vírus da dengue circulantes no mundo (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4) causam os mesmos sintomas, não sendo possível distingui-los somente pelo quadro clínico. O termo “dengue hemorrágica” deixou de ser empregado em 2014, quando o Brasil passou a utilizar a nova classificação da doença, que leva em consideração que a dengue é uma doença única, dinâmica e sistêmica. Para efeitos clínicos e epidemiológicos, considera-se a seguinte classificação: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave.

Sinais e sintomas

    Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40° C) de início abrupto, que tem duração de 2 a 7 dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, a dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.

    Com a diminuição da febre, entre o 3º e o 7º dia do início da doença, grande parte dos pacientes recupera-se gradativamente, com melhora do estado geral e retorno do apetite. No entanto, alguns pacientes podem evoluir para a forma grave da doença, caracterizada pelo aparecimento de sinais de alarme, que podem indicar o deterioramento clínico do paciente.

Quadros graves

    Sangramentos de mucosas (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, sonolência ou irritabilidade, hipotensão e tontura são considerados sinais de alarme. Alguns pacientes podem, ainda, apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

    O choque ocorre quando um volume crítico de plasma (parte líquida do sangue) é perdido através do extravasamento nos vasos sanguíneos, ele se caracteriza por pulso rápido e fraco, diminuição da pressão de pulso, extremidades frias, demora no enchimento capilar, pele pegajosa e agitação. O choque é de curta duração e pode, após terapia apropriada, evoluir para uma recuperação rápida; mas, pode também avançar para o óbito, num período de 12 a 24 horas.

    Qualquer pessoa pode desenvolver formas graves de dengue já na primeira infecção, apesar de isso ocorrer com maior frequência entre a 2ª ou 3ª infecção, devido à resposta imune individual. No entanto, crianças, gestantes e idosos, além daqueles em situações especiais (portadores de hipertensão arterial, diabetes mellitus, asma brônquica, alergias, doenças hematológicas ou renais crônicas, doença grave do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença autoimune), têm maior risco de apresentar quadros graves de dengue.

Atenção: na presença de sinais de alarme, o paciente deve retornar imediatamente ao serviço de saúde.

    Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, numa cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da dengue e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

>> O que é febre de chikungunya?

É uma infecção viral causada pelo vírus chikungunya, que pode se apresentar sob forma aguda (com sintomas abruptos de febre alta, dor articular intensa, dor de cabeça e dor muscular, podendo ocorrer erupções cutâneas) e evoluir para as fases subaguda (com persistência de dor articular) e crônica (com persistência de dor articular por meses ou anos). O nome da doença deriva de uma expressão usada na Tanzânia que significa "aquele que se curva".

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, em cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da febre de chikungunya e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

>> O que é febre do zika vírus?

    É uma doença causada pelo vírus zika (ZIKAV), transmitido pela picada do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti, infectado. Pode manifestar-se clinicamente como uma doença febril aguda, com duração de 3 a 7 dias, geralmente sem complicações graves.

    Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas. Porém, quando presentes, caracterizam-se pelo surgimento do exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia, edema periarticular e cefaleia. A artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.

>>Orientações para evitar a proliferação do Aedes aegypti:

  •       evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda;
  •       guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;
  •       mantenha lixeiras tampadas;
  •       deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;
  •       plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;
  •       trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;
  •       mantenha ralos fechados e desentupidos;
  •       lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;
  •       retire a água acumulada em lajes;
  •       dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em banheiros pouco usados;
  •       mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;
  •       evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;
  •       denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;
  •       caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

 


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