Boletim epidemiológico nº 04/2020 - Monitoramento de surto de sarampo no Estado de Santa Catarina (Semana Epidemiológica 13/2020 - dados até 28/03/2020)

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O sarampo é uma doença respiratória, exantemática aguda e extremamente contagiosa, que pode evoluir com gravidade e cursar com complicações como pneumonia e encefalite. A transmissão ocorre de pessoa a pessoa por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar. O contágio tem sido descrito por dispersão de aerossóis com no caso de partículas virais no ar em ambientes fechados como, escolas, creches, clínicas, entre outros.

A distribuição é universal e acomete indivíduos de todas as idades. O sarampo é transmitido seis dias antes e quatro dias após o aparecimento do exantema, sendo o período de maior risco dois dias antes e dois dias após a data do início do exantema. No Brasil, o sarampo é uma doença de notificação compulsória, devendo esta ser notificada às secretarias de saúde em até 24 horas. Entre os anos de 1968 até 1991, o país enfrentou nove epidemias, sendo, em média, uma a cada dois anos. Na década de 80, ocorreu um declínio gradativo no registro de óbitos, os quais são atribuídos ao aumento da cobertura vacinal e à melhoria na assistência médica.

Em setembro de 2016, como resultado das ações de vigilância, laboratoriais e de imunização, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo pela Organização Mundial da Saúde (OMS), declarando a região das Américas livre da doença. No período de 2016 e 2017, nenhum caso de sarampo foi registrado no país. No entanto, durante o ano de 2018, casos importados desencadearam surtos nos Estados do Amazonas, Roraima e Pará. A presença de navios de cruzeiros com tripulantes não vacinados e casos importados de Israel e Noruega, também contribuíram para o aparecimento de novos surtos que persistem durante o ano de 2019 e 2020.

Sarampo em Santa Catarina

A circulação endêmica do vírus do sarampo foi interrompida no estado no ano 2000. Desde então vem sendo registrados casos esporádicos importados no anos de 2001 (1 caso), 2003 (2 casos) 2005 (4 casos) e, no ano de 2013 (1 caso), todos relacionados com histórico de viagens internacional, os quais circularam no continente europeu, identificados com genótipo D8. Os últimos óbitos por sarampo no estado foram registrados no ano de 1992.

Situação epidemiológica do surto ativo de sarampo em Santa Catarina-SC, ano de 2019

Em Santa Catarina, no mês de fevereiro de 2019, foram registrados 3 casos de sarampo em tripulantes de um navio de cruzeiro que atracou no litoral catarinense. Devido às ações oportunas realizadas pelas equipes de vigilância epidemiológica, imunização e Lacen/SC não ocorrreram casos secundários. Após 90 dias sem registro de novos casos e , conforme recomenda protocolos da Organizaçao Pan Americana de Saúde, este surto foi encerrado. A partir do mês de julho de 2019 (semana epidemiológica 29) iniciou-se um novo surto relacionado a indivíduos com histórico de residência e/ou deslocamento para outros estados do país onde estavam ocorrendo casos.

Em 2019, foram confirmados 298 casos de sarampo em Santa Catarina. Outros 615 foram descartados. A faixa etária mais atingida foi de adultos jovens com idade entre 15 a 29 anos.

Situação epidemiológica do surto ativo de sarampo em Santa Catarina-SC, ano de 2020

No ano de 2020, o surto de sarampo permanece ativo até a semana epidemiológica nº13 (28 de março). Neste período, foram notificados 311 casos suspeitos. Destes, 184 foram descartados, 106 confirmados e 21 ainda permanecem em investigação e/ou reteste, conforme protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde (MS).

Nas semanas epidemiológicas de 29/2019 até a semana 13/2020, observa -se que a faixa etária com maior número de casos confirmados de sarampo em Santa Catarina concentra-se nos adultos jovens, de 20 a 29 anos, com 187 casos (46%), seguido da faixa etária de 15 a 19 anos com 106 casos (26%); observa-se um aumento no número de casos em menores de 5 anos (7%); as outras faixas etárias estão distribuídas em 20% do total de casos confirmados, conforme Figura 2. 

O estado de Santa Catarina é composto por 295 municípios. Deste total, 41 (14%) confirmaram casos de sarampo distribuídos geograficamente conforme figura 3. Nas 13 primeiras semanas epidemiológicas de 2020, observa-se a continuidade da circulação viral no estado e aumento importante no número de confirmações em indivíduos residentes no município de Florianópolis, respondendo por 64% dos casos. 

Os casos confirmados no ano de 2020 estão distribuídos geograficamente nos municípios de Florianópolis (68), Joinville (18), Porto União (6), Jaraguá do Sul (2), Schroeder (2), Blumenau (2), São José (2), Palhoça (1), Guaramirim (1), Três Barras (1), Videira (1), Maravilha (1) e Ita (1), conforme Tabela 1. 

Recomendações

Considerando a alta transmissibilidade do sarampo, o atual comportamento da doença no cenário brasileiro e a continuidade do surto no ano de 2020 assim como também a dispersão do vírus entre 41 municípios do estado de Santa Catarina, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE), da Secretaria de Estado da Saúde Santa Catarina, em parceria com as secretarias municipais de saúde, segue com a recomendação que na ocorrência de casos suspeitos de sarampo, sejam reforçadas as medidas de vigilância e controle com objetivo de detectar precocemente os casos e evitar a dispersão viral: 

a) Notificação imediata de casos suspeitos (pacientes com febre, exantema, coriza e/ou tosse e/ou conjuntivite);

b) Atenção especial aos casos suspeitos de viajantes e/ou pessoas que tiveram contato com viajantes nacionais e internacionais nos últimos 30 dias;

c) Orientação para o isolamento hospitalar ou domiciliar do caso suspeito até o final do período de transmissibilidade (período de 6 dias antes do aparecimento do exantema até 4 dias após);

d) Bloqueio vacinal dos contatos, ocorrido no período de transmissibilidade, em até 72 horas e monitoramento destes por até 30 dias;

e) Investigação dos casos quanto a possíveis fontes de infecção;

f) Busca retrospectiva de casos em prontuários de hospitais e laboratórios públicos e privados;

g) Atualização da caderneta de vacinação de crianças e adultos em todas as oportunidades;

h) Coleta de amostras clínicas para sorologia e identificação viral e encaminhamento obrigatório ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen/SC).

Ressaltamos que a vacina tríplice viral é a maneira mais eficaz de prevenção contra o sarampo, além de proteger também contra rubéola e caxumba. O Ministério da Saúde recomenda a intensificação da vacinação de rotina, conforme Calendário Nacional de Vacinação com uma dose da vacina aos 12 meses e com reforço aos 15 meses; duas doses a partir de 12 meses a 29 anos de idade; e uma dose para a população de 30 a 59 anos de idade; além da dose zero para crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias.


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