Boletim Epidemiológico nº 01/2020 Covid-19 (SARS-COV-2) (Dados atualizados em: 21/05/2020)

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Global:

- 5.047.377 casos confirmados.

- 329.816 óbitos. 

 

Brasil:

- 291.690 casos confirmados.

- 18.863 óbitos (6,5% de letalidade).

 

Santa Catarina:

- 5.610 casos confirmados (11º estado em número de casos).

- 98 óbitos (17º estado em número de óbitos).

 

1. Número de Casos Confirmados por Covid-19

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE) divulga o boletim epidemiológico do Covid-19 (doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2) no Estado de Santa Catarina com informações atualizadas até o dia 21/05/2020.

Até a presente data foram confirmados 5.610 casos de Covid-19 em Santa Catarina. Os primeiros três casos da doença no estado apresentaram os sintomas no final de fevereiro. A partir deste momento, a notificação de casos passou a ser praticamente diária. No gráfico 1 é possível observar a evolução dos casos confirmados por semana epidemiológica, segundo a data de início dos sintomas.

Observa-se que entre as Semanas Epidemiológicas (SE) 9 e 12 (período de 23/02/2020 a 21/03/2020) ocorreu um aumento no número de casos confirmados no estado, passando de 4 para 445 casos confirmados. 

Na 13ª semana, ocorreu uma diminuição gradual dos casos até a 15ª semana (22/03/2020 a 11/04/2020), situação que pode estar associada às medidas de distanciamento social implementadas pelo Governo do Estado e municípios. A partir da 16ª semana (iniciada em 12/04/2020) ocorreu um aumento importante no número de casos, sendo que uma das hipóteses para essa situação pode estar relacionada a mudança nos critérios de notificação e confirmação de suspeitos (Nota Técnica Conjunta nº 002/2020 – COSEMS/SUV/SPS/SES/SC – COE de 09/04/2020), que passou a incluir também casos leves, sem a necessidade de hospitalização, bem como a confirmação pelo critério clínico-epidemiológico e através de testes rápidos.

Também considera-se que este aumento pode ser reflexo do relaxamento de algumas medidas de restrição social. Portanto, é preciso avaliar os casos nas próximas semanas, para mensurar o possível impacto destas medidas, já que na semana 20 (10 a 16/05/2020) ocorreu uma diminuição no número de casos confirmados. Além disso, essa análise se refere ao Estado como um todo, podendo ocorrer diferenças entre as regiões de saúde.

O acumulado de casos no período pode ser visualizado no gráfico 2.

Até o momento, do total de 5.610 casos confirmados, 3.295 (58,7%) se recuperaram da doença, 98 (1,7%) evoluíram para óbito e 2.217 (39,5%) permanecem em acompanhamento (gráfico 3). Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), as pessoas são consideradas recuperadas quando após o período de 14 dias do início da doença, não apresentam mais os sintomas da Covid-19.

A taxa de incidência (calculada pelo número de casos dividido pela população total residente multiplicado por 100 mil habitantes) em Santa Catarina é de 78,3 casos/100 mil habitantes, encontra-se abaixo da taxa de incidência do Brasil que é de 138,8 casos/100 mil habitantes, e distante de estados em que o impacto da doença é importante como Amapá, Amazonas, Roraima e Ceará. Entretanto, é preciso cautela na análise da situação de Santa Catarina, que apesar de se encontrar numa situação intermediária entre as Unidades da Federação, vem aumentando a taxa de incidência nas últimas semanas (gráfico 4).

A tabela 1 mostra a distribuição do número de casos por Covid-19 segundo o município de residência, assim como a taxa de incidência para cada 100 mil habitantes. Até o dia 21/05 foram confirmados 5610 casos de Covid-19, em 178 municípios catarinenses. Importante ressaltar que 36 casos são de pessoas residentes em outros estados e 3 de outros países, por isso, não aparecem na tabela abaixo. Para permitir uma melhor visualização os municípios estão separados por região de saúde.

 

 

Observa-se que os municípios com maior número de casos confirmados por Covid-19 são também aqueles municípios com maior número de residentes (população residente) o que resulta em taxas de incidência menores. Enquanto municípios com menor número de residentes apresentam taxas de incidências superiores, quando comparados a taxa do Estado, por exemplo, que é de 78,3 casos para cada 100 mil habitantes.

Os municípios que apresentam o maior número absoluto de casos são: Chapecó (626), Florianópolis (525), Blumenau (480), Joinville (327) e Criciúma (323). Esses cinco municípios respondem por 40,6% dos casos de Covid-19 identificados em Santa Catarina.

Apesar disso, os municípios com as maiores incidências são: Lindóia do Sul (1073,9 por 100 mil hab.), Ipumirim (540 por 100 mil hab.), Presidente Castello Branco (510,2 por 100 mil hab.), Irani (470,3 por 100 mil hab.), Peritiba (466,5 por 100 mil hab.), Arabutã (445,3 por 100 mil hab.), Vargem Bonita (445,2 por 100 mil hab.), Paial (398,7 por 100 mil hab.), Concórdia (372,4 por 100 mil hab.) e Guatambu (361,4 por 100 mil hab.).

Dos 10 municípios com as maiores taxas de incidência, 07 estão localizados na Região do Alto Uruguai Catarinense, 02 na Região Oeste e 01 na Região do Meio Oeste. Salientamos que municípios de pequeno e médio porte podem ter uma saturação rápida dos seus sistemas de saúde, por isso, se faz importante manter a vigilância principalmente para estes territórios.  

No Mapa 1 é possível observar a distribuição espacial dos casos por município de residência, conforme a taxa de incidência.   

Os casos confirmados ainda podem ser analisados levando em consideração as características demográficas. 

Em relação ao sexo, os casos ocorrem mais no sexo feminino (52,9%) em comparação ao masculino (47,1%).

Com relação à faixa etária observa-se que as pessoas mais acometidas pelo Covid-19 estão na faixa etária dos 30 aos 39 anos (n=1.480), representando 26,4% dos casos, seguida pela faixa etária entre 40 a 49 anos (n=1.135) representando 20,2%. Temos ainda a faixa etária entre 20 a 29 anos que corresponde a 18,3% dos casos (n=1.025) e a faixa etária de 50 a 59 anos (n=881) com 15,7% (gráfico 5).

Assim, observamos até o momento que o grupo mais afetado pela doença são os adultos jovens. Entretanto, como descrito a seguir, a mortalidade é maior nas pessoas acima dos 60 anos.

 

2.  Óbitos por Covid-19

Até o momento, foram registrados 98 óbitos no estado de Santa Catarina em decorrência da Covid-19, distribuídos em 44 municípios catarinenses.

No gráfico 6 é possível visualizar os óbitos por semana epidemiológica. Observamos que o primeiro óbito registrado no estado ocorreu no dia 25 de março de 2020. 

 

O maior número de óbitos até o momento foi na SE 20 (10 a 16/05/2020) com 18 óbitos, embora a variação entre as semanas não seja expressiva.

Até o momento, ocorreu o registro de 1 óbito domiciliar e 97 em internação hospitalar.

Analisando a faixa etária dos óbitos, eles ocorreram principalmente nos indivíduos com mais de 60 anos de idade. A distribuição mostra que do total de óbitos ocorridos no período, 21 foram em pessoas com idade entre 60 a 69 anos, 25 óbitos entre pessoas com 70 a 79 anos, 21 óbitos entre as pessoas de 80 a 89 anos e 3 óbitos acima de 90 anos. Portanto, 71,4% dos óbitos por Covid-19 ocorreram em pessoas acima dos 60 anos (gráfico 7). 

 

Os óbitos ocorridos se refletem na taxa de mortalidade por 100 mil habitantes. Assim, a taxa de mortalidade foi de 0,50 casos por 100 mil habitantes entre indivíduos com 30 a 39 anos, 0,92 casos por 100 mil habitantes na faixa etária de 40 a 49 anos, 1,48 casos na faixa etária 50 a 59 anos, 3,55 casos na faixa etária 60 a 69 anos, 8,62 casos na faixa etária 70 a 79 anos, 19,32 casos na faixa etária de 80 a 89 anos e 12,53 na população com idade a partir dos 90 anos.

Em relação ao sexo, embora o feminino seja o mais acometido entre os casos confirmados por Covid-19 os óbitos são mais frequentes nas pessoas do sexo masculino (57,1%) em comparação ao feminino (42,8%).

Os principais sinais e sintomas apresentados pelas pessoas que foram a óbito em decorrência do Covid-19 foram: tosse (76,5%), febre (74,5%), dispneia (69,4%), desconforto respiratório (58,2%), baixa saturação de oxigênio (54,1%) e cansaço (34,7%). Todos os sinais sintomas apresentados podem ser visualizados abaixo (gráfico 8).

 

Ainda, percebe-se que as pessoas que foram a óbito em decorrência da doença apresentavam outras doenças de base (gráfico 9), sendo as principais comorbidades, doença cardiovascular crônica (31,6%) e diabetes (29,6%).

A tabela 2 mostra o número de óbitos pelo município de residência, bem como a taxa de letalidade (número de casos que evoluíram para óbito dentre aqueles com diagnóstico da doença) e a taxa de mortalidade (número de óbitos dentre a população residente total do município). No estado, a letalidade da doença é de 1,75% e a taxa de mortalidade de 1,37 para cada 100 mil habitantes.

 

3.  HOSPITALIZAÇÕES POR SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE (SRAG)

Os casos hospitalizados de Covid-19 são monitorados através da vigilância da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Analisando os anos de 2019 e 2020, com dados até o dia 21/05, percebe-se um aumento nas notificações de SRAG em Santa Catarina. Enquanto no mesmo período de 2019 foram registrados 621 casos, em 2020 esse número chega a 3.034 (gráfico 10).

Importante destacar que no gráfico estão todas as SRAG hospitalizadas, independente do diagnóstico final, que envolve uma gama de vírus respiratórios e outros agentes etiológicos. Vale ressaltar que o aumento nas notificações de SRAG a partir da SE 12 (15 a 21/03), coincide com o aumento nos casos da Covid-19, como apresentado no Gráfico 10.

 

No gráfico 11 observamos os casos de SRAG por classificação final, ao longo do ano de 2019 até a SE 21 de 2020.

 

Os casos hospitalizados de SRAG com diagnóstico de Covid-19 passaram a ser identificados a partir da SE 10 (01 a 07/03). Conforme SE do início dos sintomas, os casos de Covid-19 estão distribuídos da seguinte forma: SE 10 (4), SE 11 (24), SE 12 (67), SE 13 (74), SE 14 (52), SE 15 (36), SE 16 (49), SE 17 (72), SE 18 (64), SE 19 (50) e SE 20 (25). É importante destacar que os casos de SRAG não especificada e os que permanecem em branco ou em investigação, podem estar associados à Covid-19.


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