Boletim sobre situação da dengue, febre de chikungunya e febre do zika vírus em Santa Catarina (Atualizado em 06/01/2016)

Dengue

É uma doença infecciosa febril causada por um arbovírus, sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. É transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado. Os sintomas da dengue são: febre, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dor retro-orbital (atrás dos olhos), e manchas vermelhas na pele.

Pessoas que estiveram nos últimos 14 dias numa cidade com presença do Aedes aegypti ou com transmissão da dengue e apresentar os sintomas citados, devem procurar uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento adequado.

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) informa que de 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2015 foram notificados 11.263 casos de dengue em Santa Catarina. Desses, 3.605 (32%) foram confirmados (2.370 por critério laboratorial e 1.235 por clínico-epidemiológico), 6.572 (58%) foram descartados e 1.086 (10%) casos suspeitos estão em investigação.

Do total de casos confirmados, 3.276 (91%) são autóctones (transmissão dentro do estado), 268 (7%) são importados (transmissão fora do estado) e 61 (2%) estão em investigação para definição do local provável de transmissão (Tabelas 1 e 2).

Em relação ao boletim anterior (publicado no dia 16 de dezembro), foram confirmados mais 9 casos de dengue, 3 autóctones (com residência nos municípios de Itajaí, Bom Jesus do Oeste e Galvão), 5 importados e 1 em investigação do local provável de infecção.

Tabela 1: Casos de dengue, segundo classificação. Santa Catarina, 2015.

Classificação

Casos

%

Confirmados

3.605

32

Autóctones

3.276

91

Importados

268

7

Em investigação

61

2

Descartados

6.572

58

Suspeitos

1.086

10

Total Notificados

11.263

100

 Fonte: Sinan Online (com informações até o dia 05/01/2016).

 

Tabela 2: Casos confirmados de dengue segundo município de residência e classificação de Local Provável de Infecção (LPI). Santa Catarina, 2015.

Municípios de Residência SC

Nº de casos em Investigação de LPI

Nº de casos importados

Nº de casos autóctones

Autóctones

Local Provável de Infecção (LPI)

Anchieta

0

2

0

 

Antônio Carlos

0

1

1

1 Itajaí

Araranguá

0

2

0

 

Arroio Trinta

1

0

0

 

Balneário Arroio do Silva

1

0

0

 

Balneário Camboriú

10

8

20

6 Balneário Camboriú, 13 Itajaí, 1 Indeterminado

Balneário Barra do Sul

0

1

0

 

Biguaçu

0

2

1

1 Itajaí

Blumenau

0

18

8

7 Itajaí, 1 Itapema

Bombinhas

0

4

1

1 Bombinhas

Bom Jesus do Oeste

0

0

1

1 Bom Jesus do Oeste

Braço do Norte

0

1

0

 

Brusque

0

4

1

1 Itajaí

Caçador

0

0

1

1 Caçador

Camboriú

7

1

3

3 Itajaí

Canelinha

0

1

1

1 Itajaí

Canoinhas

1

2

1

1 Canoinhas

Capivari de Baixo

0

1

0

 

Chapecó

1

9

36

34 Chapecó, 2 Itajaí

Concórdia

0

3

0

 

Cordilheira Alta

0

0

1

1 Cordilheira Alta

Corupá

0

0

1

1 Corupá

Correia Pinto

0

0

1

1 Indeterminado

Criciúma

0

4

0

 

Curitibanos

0

0

2

2 Itajaí

Descanso

0

1

0

 

Florianópolis

5

45

0

 

Galvão

0

0

1

1 indeterminado

Garopaba

0

1

0

 

Gaspar

0

1

1

1 Itajaí

Gravatal

0

0

1

1 Tubarão

Guabiruba

0

2

0

 

Guaraciaba

0

0

2

2 Guaraciaba

Guaramirim

0

4

0

 

Ibicaré

0

1

0

 

Imbituba

0

3

1

1 Itajaí

Indaial

3

4

0

 

Itá

0

1

1

1 Itajaí

Itajaí

13

12

3116

3115 Itajaí, 1 Indeterminado

Itapema

0

4

25

24 Itapema, 1 Itajaí

Itapoá

1

4

0

 

Jaraguá do Sul

1

10

2

2 Itajaí

Jardinópolis

0

1

0

 

Joaçaba

0

2

0

 

Joinville

3

32

12

1 Itajaí, 10 Joinville, 1 indeterminado

Lages

0

2

0

 

Laguna

0

2

0

 

Lontras

0

2

0

 

Mafra

0

1

0

 

Major Gercino

0

0

1

1 Major Gercino

Navegantes

0

1

10

10 itajaí

Nova Trento

0

0

1

1 Indeterminado

Orleans

0

1

1

1 Indeterminado

Otacílio Costa

0

0

1

1 Indeterminado

Palhoça

0

7

0

 

Palmeira

0

1

0

 

Palmitos

0

1

0

 

Papanduva

0

1

0

 

Penha

3

1

2

2 itajaí

Piçarras

1

0

0

 

Pinhalzinho

0

2

1

1 Chapecó

Pomerode

0

2

0

 

Porto Belo

1

0

0

 

Porto União

0

1

0

 

Praia Grande

0

2

0

 

Presidente Getúlio

0

1

0

 

Rio do Sul

0

3

0

 

Rio Negrinho

0

1

0

 

Rodeio

0

2

0

 

Sangão

0

2

0

 

São Bento do Sul

0

1

0

 

São Carlos

0

1

0

 

São Francisco do Sul

0

4

1

1 Itajaí

São João Batista

1

0

2

2 Itapema

São José

2

16

5

1 Blumenau, 4 Itajaí

São José do Cedro

2

0

0

 

São Ludgero

0

1

1

1 Indeterminado

São Miguel do Oeste

1

3

2

2 São Miguel do Oeste

Tijucas

0

2

1

1 Itajaí

Timbó

0

0

1

1 Itajaí

Três Barras

0

0

1

1 Indeterminado

Tubarão

0

7

1

1 Tubarão

Tunápolis

0

1

0

 

União do Oeste

0

2

0

 

Urussanga

1

0

1

1 Indeterminado

Vargem

0

0

1

1 Itajaí

Videira

2

0

0

 

Xanxerê

0

2

0

 

Total

61

268

3276

 

 Fonte: Sinan Online (com informações até o dia 05/01/2016).

 

O acompanhamento dos casos mostra que entre os dias 15 e 21 de março (semana epidemiológica – SE 11) registrou-se o maior número de casos autóctones confirmados (309), seguido pela semana entre os dias 05 a 11 de abril (SE – 14), com 293 casos autóctones confirmados. A partir do dia 12 de abril (SE 15) verifica-se uma diminuição no número de casos notificados, com tendência de redução dos casos confirmados nas semanas seguintes. Foram notificados 1 caso autóctone na SE 48 (29/11 a 05/12) e 2 casos na SE 49 (06 a 12/12) (Figura 1).

 

Ressalta-se que as ações de controle vetorial devem ser mantidas ao longo do ano, pois apesar da redução de casos, há ovos do mosquito transmissor no ambiente aguardando condições propícias para se desenvolverem. 

Figura 1: Casos de dengue segundo classificação final e SE de início dos sintomas. Santa Catarina, 2015.

 

Fonte: SINAN Online (com informações até o dia 05/01/2016).

Até o dia 31 de dezembro, em Santa Catarina, foram identificados 7.244 focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, em 117 municípios. Existem 28 municípios considerados infestados pelo mosquito: Anchieta, Balneário Camboriú, Chapecó, Cordilheira Alta, Coronel Freitas, Coronel Martins, Cunha Porã, Florianópolis, Guaraciaba, Guarujá do Sul, Itajaí, Itapema, Joinville, Maravilha, Nova Itaberaba, Novo Horizonte, Palmitos, Passo de Torres, Pinhalzinho, Planalto Alegre, Princesa, São Bernardino, São Lourenço do Oeste, São Miguel do Oeste, Serra Alta, União do Oeste, Xanxerê e Xaxim. A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos.

Febre de Chikungunya

É uma infecção viral causada pelo CHIKV e que pode se apresentar sob a forma aguda (com sintomas abruptos de febre alta, dor articular intensa, dor de cabeça e dor muscular, podendo ocorrer erupções cutâneas) e evoluir para as fases: subaguda (com persistência de dor articular) e crônica (com persistência de dor articular por meses ou anos). O nome da doença deriva de uma expressão usada na Tanzânia que significa "aquele que se curva".

A doença também é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada pelo vírus.

Pessoas que estiveram nos últimos 14 dias em cidade com presença do Aedes aegypti ou com transmissão da febre de chikungunya e apresentar os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para diagnóstico e tratamento adequado.

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) informa que em 2015, até o dia 31 de dezembro, foram notificados 91 casos de febre do chikungunya, dos quais três (03) foram confirmados. Desses, dois (02) foram importados da Bahia e um (01) caso foi autóctone do município de Itajaí. (Figura 2). Em relação ao último boletim, divulgado em 16 de dezembro, nenhum caso novo de febre do chikungunya foi detectado neste período.

Tabela 3: Casos de febre de chikungunya segundo classificação final. Santa Catarina, 2015.

Classificação

Casos

%

Confirmados

3

3

Autóctones

1

33

Importados

2

67

Descartados

47

52

Suspeitos

41

45

Total Notificados

91

100

Fonte: SINAN Net (com informações até o dia 05/01/2016).

 

Febre do Zika Vírus

É uma doença causada pelo vírus Zika (ZIKAV), transmitido pela picada do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti, infectado. Pode manifestar-se clinicamente como uma doença febril aguda, com duração de 3-7 dias, geralmente sem complicações graves.

Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas. Porém, quando presentes, a doença se caracteriza pelo surgimento do exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia, edema periarticular e cefaleia. A artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.

A partir de abril de 2015, o Brasil vem detectando casos de Febre do Zika Vírus. Atualmente há circulação do ZIKAV em 18 estados do país.

Recentemente, foi observada uma correlação entre a infecção pelo ZIKAV e a ocorrência de Síndrome de Guillain-Barré (SGB) e casos de Microcefalia no nordeste do Brasil. Esta hipótese está em investigação, e foi decretada Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional.

Em Santa Catarina, seguindo orientações do Ministério da Saúde, a vigilância de Zika Vírus foi implantada em unidades sentinelas localizada em quatro (05) municípios Catarinenses. Essas unidades sentinelas têm como características essenciais o atendimento de parcela representativa da população, ser um serviço de pronto-atendimento, possuir boa articulação com a vigilância epidemiológica e capacidade para coletar, processar, armazenar e encaminhar amostras laboratoriais: 

  • Chapecó: Pronto Atendimento Efapi;
  • Florianópolis: Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Sul e UPA Norte;
  • Itajaí: Pronto Atendimento São Vicente;
  • Joinville: Pronto Atendimento Sul;
  • São Miguel do Oeste: Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Leonardo Weissheimer.

Além da Vigilância sentinela, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica também monitora casos suspeitos de Zika vírus oriundo de outros estados (importados), com o objetivo de desencadear ações oportunas de controle vetorial.

 

A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) informa que de 20 de outubro (quando a vigilância foi implantada) até 31 de dezembro de 2015 foram notificados 68 casos suspeitos de Febre do Zika Vírus em Santa Catarina. Destes, 08 foram confirmados, 33 foram descartados e 27 permanecem em investigação.

Todos os casos confirmados são importados e foram confirmados pelo critério clínico-epidemiológico (após diagnóstico diferencial negativo para dengue, sarampo, rubéola e parvovírus). Estes casos foram identificados em Laguna, Florianópolis, Bombinhas, Gaspar e Pomerode, e o provável local de infecção foram os estados do Maranhão, Bahia, Pará, Paraíba e Sergipe. 

Tabela 4: Casos de Febre do Zika Vírus, segundo classificação e município de residência. Santa Catarina, 2015.

Municípios de Residência SC

Casos Confirmados

Casos Descartados

Casos Em Investigação

Laboratorial

Clínico-epidemiológico

LPI

Blumenau

0

0

 

2

1

Bombinhas

0

2

Paraíba

0

0

Chapecó

0

0

 

4

2

Criciúma

0

0

 

1

0

Descanso

0

0

 

1

0

Florianópolis

0

3

Bahia, Maranhão

6

16

Gaspar

0

1

Pará/ Maranhão

0

0

Itajaí

0

0

 

5

2

Joinville

0

0

 

4

0

Laguna

0

1

Bahia

0

0

Nova Erechim

0

0

 

1

0

Nova Trento

0

0

 

1

0

Palhoça

0

0

 

2

0

Pomerode

0

1

Sergipe

0

0

São Francisco do Sul

0

0

 

1

0

São José do Cedro

0

0

 

0

3

São Miguel do Oeste

0

0

 

4

3

Tubarão

0

0

 

1

0

Total

0

8

-

33

27

              Fonte: LACEN (com informações até o dia 05/01/2016).

 Orientações para evitar a proliferação do Aedes aegypti:

  • Evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usar, coloque areia até a borda;
  • Guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;
  • Mantenha lixeiras tampadas;
  • Deixe os depósitos para guardar água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;
  • Plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;
  • Trate a água da piscina com cloro e limpe uma vez por semana;
  • Mantenha ralos fechados e desentupidos;
  • Lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;
  • Retire a água acumulada em lajes;
  • Dê descarga no mínimo uma vez por semana em banheiros pouco usados;
  • Mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;
  • Evite acumular entulho, pois podem se tornar locais de foco do mosquito da dengue.
  • Denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;
  • Caso apresente sintomas de dengue, chikungunya o Zika vírus, procure uma unidade de saúde para atendimento.

  


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