Notificações de casos de sífilis em Santa Catarina aumentam quase 50% em 2015

De forma alarmante, 5.427 novos casos de sífilis foram registrados em Santa Catarina em 2015, um crescimento de 46% em relação aos casos notificados em 2014. Foram também notificados 1.157 casos em gestantes. Nos últimos cinco anos, 10.110 pessoas foram diagnosticadas com sífilis no estado, de acordo com os dados divulgados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde (Dive/SES/SC).

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível que, se não tratada, pode comprometer gravemente o sistema nervoso central, o sistema cardiovascular, além de órgãos como olhos, pele e ossos do paciente. Apesar de rara nos dias atuais, a doença avançada pode levar à morte.

“A percepção do crescimento da doença foi muito rápido nos últimos anos e não tem relação com o recente desabastecimento da medicação utilizada em seu tratamento (a penicilina Benzatina, ou “Benzetacil”) e, sim, com o descuido no uso da camisinha. Muitas pessoas ainda não levam a doença e a prevenção a sério, pois a percepção é de que a sífilis é uma doença banal, uma vez que é curável”, avalia o médico Eduardo Campos de Oliveira, da Gerência de Vigilância das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) Aids e Hepatites Virais da Dive/SC. O último levantamento do Ministério da Saúde, realizado em 2013, apontou que 21.382 gestantes contraíram sífilis no país e 13.705 bebês nasceram com a doença. Desses bebês, 161 morreram.

Trata-se de uma doença de notificação obrigatória, ou seja, os casos precisam ser comunicados individualmente para as autoridades de saúde. “Essa exigência deve ser uma prática tanto na rede pública quanto na rede privada”, enfatiza Eduardo Campos de Oliveira.

 

SÍFILIS CONGÊNITA

Em Santa Catarina, foram notificados 393 novos casos de sífilis congênita no ano de 2015 (aquela em que a transmissão ocorre da mãe para o bebê) – um crescimento de 68% em relação aos notificados em 2014. Dentre os casos, foram registrados nove abortos e 19 natimortos. Quando a sífilis alcança o feto, portanto, poderá determinar graves lesões, como surdez, cegueira, retardo mental, deformações ósseas, e até a morte.  Nos últimos dez anos houve um progressivo aumento na taxa de incidência de sífilis em bebês no Brasil: a taxa passou de 1,7 casos a cada 1.000 nascidos vivos em 2004 para 4,7 em 2013.

A sífilis congênita é um problema de saúde grave mundial. A eliminação da transmissão vertical da sífilis (Sífilis Congênita) como um problema de saúde pública é uma das metas da Organização Mundial de Saúde (OMS). O objetivo é reduzir o número de casos novos a menos de 0,5 para cada 1000 nascidos vivos no período de um ano. Para tanto, é fundamental que a gestante realize o pré-natal de forma correta. O teste para o diagnóstico da doença deve ser feito a toda gestante logo na primeira consulta do pré-natal, repetido no terceiro trimestre da gestação e também no momento do parto. Se as grávidas fizerem o diagnóstico em tempo apropriado e o tratamento preciso, realizado com a administração de três doses de penicilina, as chances de infecção do bebê caem consideravelmente.

 

SINAIS E SINTOMAS

O primeiro sinal da sífilis é uma ferida que surge geralmente nos órgão genitais (pênis, vagina, ânus), mas também podem surgir em outras partes do corpo, como a boca e a língua, representando o local por onde a bactéria penetra em nosso organismo.  Elas não doem e, no caso das mulheres, pode ser difícil identificá-las se aparecerem no colo do útero. Depois de um período, essas feridas desaparecem.

Após um período sem sintomas, aparecem manchas na pele que podem atingir todo o corpo, principalmente a planta dos pés e a palma das mãos. Se a doença não for tratada nessa fase ela pode acometer o sistema nervoso central, o sistema cardiovascular e vários órgãos do corpo. Nesta fase, ela pode até matar. O tratamento, simples e eficaz, consiste na administração de antibióticos, principalmente a penicilina que é ainda a melhor opção terapêutica.

É importante que, ao observarem esses sintomas, as pessoas procurem seu médico ou uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Há vários tipos de exames para detectar a doença na rede pública, inclusive o TESTE RÁPIDO: exame realizado a partir de uma gota de sangue, disponibilizado nas Unidades Básicas de Saúde, de forma rápida, gratuita e sigilosa.

Importante também lembrar que todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnosticar a sífilis, independente de apresentarem sintomas, uma vez que a contaminação pode ter acontecido há muitos anos.

 

Informações adicionais à imprensa:

 

Letícia Wilson / Patrícia Pozzo

Núcleo de Comunicação

Diretoria de Vigilância Epidemiológica

Secretaria de Estado da Saúde

(48) 3664-7406

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