Informe Epidemiológico n°05/2017 – Vigilância da Influenza (Atualizado em 26 de abril de 2017)

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Os dados contidos nesse informe são oriundos da vigilância universal de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que monitora os casos hospitalizados e óbitos com o objetivo de identificar o comportamento do vírus influenza, orientando os órgãos de saúde na tomada de decisão frente à ocorrência de casos graves de SRAG causados pelo vírus.  Os dados são coletados pelas Secretarias Municipais de Saúde por meio de formulários padronizados e inseridos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação on-line: SINAN Influenza Web. As amostras laboratoriais são coletadas e encaminhadas para análise ao LACEN/SC. As informações apresentadas neste informe são referentes ao período que compreende as semanas epidemiológicas (SE) 01 a 16 de 2017, ou seja, casos com início de sintomas de 3/1/2017 a 22/04/2017.

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) são casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória, sem outra causa específica que, na maioria dos casos, levam à hospitalização. Os casos podem ser causados por vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B; ou por bactérias, fungos e outros agentes.

 

Perfil Epidemiológico dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Santa Catarina

De 1º de janeiro a 22 de abril de 2017 (SE 16) foram confirmados 228 casos suspeitos de SRAG em Santa Catarina. Destes, 21 (9,2%) foram confirmados para Influenza, sendo 01 (4,8%) pelo vírus Influenza A (H1N1) pdm09, 17 (81,0%) pelo vírus A (H3N2), 01 (4,8%) está aguardando subtipagem para identificação do tipo de vírus influenza A e 02 (9,5%) pelo vírus influenza B. Outros 150 (65,8%) casos de SRAG tiveram resultado negativo para influenza A e B (SRAG não especificada), 03 (1,3%) SRAG por outro vírus respiratório e 54 (23,7%) casos se encontram em investigação, aguardando confirmação laboratorial (Tabela 1).

 

Tabela 1: Casos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. Santa Catarina, 2017.


 
Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 26/04/2017). Dados sujeitos a alterações.

 

Os municípios que apresentaram casos confirmados de SRAG pelo vírus Influenza foram: Blumenau (02 casos), Itajaí (02 casos), Mafra (02 casos), Sangão (02 casos), Balneário Camboriú (01 caso), Chapecó (01 caso), Florianópolis (01 caso), Imbituba (01 caso), Jaguaruna (01 caso), Jaraguá do Sul (01 caso), Joinville (01 caso), Lages (01 caso), Palhoça (01 caso), São Miguel do Oeste (01 caso), Tubarão (01 caso) e Tunápolis (01 caso), e um caso residente no estado do Paraná.

Em relação à idade, os casos de SRAG confirmados por influenza acometeram indivíduos nas faixas etárias: < 2 anos (01 caso), de 5 a 9 (01 caso), de 20 a 29 (01 caso), de 30 a 39 (04 casos), de 40 a 49 (03 casos), de 50 a 59 (06 casos) e acima de 60 anos (05 casos) (Tabela 2).

 

TABELA 2: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2017.


 
Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 26/04/2017). Dados sujeitos a alterações.

 

Dos 21 casos de SRAG confirmados como influenza, 15 apresentaram algum fator de risco associado,  outros 15 evoluíram para a cura, 02 ainda estão aguardando a evolução e 04 registraram óbitos. Outros 03 pacientes não fizeram uso do antiviral Oseltamivir(Tamiflu) e 18 pacientes fizeram uso de antiviral em até cinco dias após o início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e pelo menos mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia).

 

Perfil dos óbitos em Santa Catarina

Até o dia 26/04/2017 foram notificados 27 óbitos por SRAG. Sendo 04 casos confirmados pelo vírus Influenza A (H3N2), 19 casos tiveram resultado negativo para o vírus influenza A e B, classificados como SRAG não especificada, 01 caso diagnosticado como SRAG por outros vírus respiratórios e 03 estão em investigação.

 

Tabela 3: Óbitos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. Santa Catarina, 2017.


 Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 26/04/2017). Dados sujeitos a alterações.

 

Os óbitos acometeram pacientes residentes em Florianópolis, Jaraguá do Sul, Lages e São Miguel do Oeste, que apresentaram fatores de risco associados, sendo 02 portadores de Diabetes Miellitus e 02 doença cardiovascular crônica. Todos fizeram uso de oseltamivir três dias após o início dos sintomas. Em 2016, no mesmo período de Janeiro a Abril ocorreram 49 óbitos por influenza, enquanto que em 2017 temos 04 óbitos.

 

 

Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza 2015- 2017

O monitoramento dos casos de SRAG, confirmados por influenza por meio do SINAN Influenza Web,indica que no período de 2015 o aumento na detecção de casos iniciou na última semana do mês de abril. Já em 2016, observa-se um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da SE 9 (28/2 a 5/3), com um pico na SE 14 (3 a 9/4), logo após, verifica-se uma queda no número de casos até a SE 21 (22 a 28/5). Em 2017, até a SE 16, os casos apresentados estão dentro do esperado para o período (Figura 1).

 

Figura 1: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo Semana Epidemiológica (SE) do início dos sintomas. SC, 2015-2017.


Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 26/04/2017). Dados sujeitos a alterações.

 

Os meses de janeiro a abril sempre foram meses de baixa circulação de vírus influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, 08 casos em 2012, ao total 21 casos em 2013, sete casos em 2014 e seis casos em 2015. Em 2016, neste período, foram confirmados 404 casos de SRAG por influenza, uma ocorrência atípica para este tipo de vírus. Os meses de maio a agosto são aqueles em que, historicamente, há maior circulação do vírus influenza, e a ocorrência de casos em 2016 acompanhou a tendência histórica. Em 2017, os números acompanham as tendências apresentadas até o ano de 2015. (Figura 1)

 

TABELA 4: Casos confirmados de SRAG por influenza mês de início dos sintomas. SC, 2012-2017.


 
     Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 26/04/2017). Dados sujeitos a alterações.

 

Em relação aos tipos de vírus influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013, o vírus influenza A (H1N1) pdm09 também predominou (229 casos e 34 óbitos), no entanto, os casos de influenza A (H3N2) também foram significativos (133 casos e seis óbitos). Em 2014, ocorreu um predomínio na circulação do vírus influenza A (H3N2) (146 casos e nove óbitos). Em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus. (Tabela 8). Em 2016, houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09 (722 casos e 114 óbitos). Em 2017, até o fechamento deste boletim, é possível indicar que o vírus que irá circular nessa temporada será o vírus A (H3N2).

 

TABELA 5: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo classificação final. SC, 2012-2017*.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 26/04/2017). Dados sujeitos a alterações.

 

Considerações Finais

O perfil de casos e óbitos de SRAG em 2017 até o momento indica a circulação maior do vírus Influenza subtipo A (H3N2), acometendo idosos e adultos com comorbidades (doentes crônicos e obesos). Esses grupos possuem uma tendência maior a apresentarem complicações quando infectadas pelo vírus influenza, por isso a importância de procurarem um serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe, para o tratamento adequado.

Apesar de o vírus influenza intensificar-se no período de inverno, ele circula todos os meses do ano, portanto, devem ser reforçadas as medidas de prevenção, principalmente lavar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. Também é necessário manter superfícies e objetos que entram em contato frequente com as mãos, como mesas, teclados, maçanetas e corrimãos, limpos com álcool, e não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres.

Os serviços de saúde devem estar sempre preparados para promover o atendimento adequado aos casos de Síndrome Gripal, reforçando as medidas de manejo clínico dos casos. O uso do antiviral (Oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal ou da confirmação laboratorial. Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico, se o tratamento puder ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, tento em pacientes com condições e fatores de risco para complicações bem como naqueles com síndrome respiratória aguda grave. O antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

A gripe causada pelo vírus influenza é uma doença grave que causa danos à saúde das pessoas há muitos séculos. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas no ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão que pode ser grave e até fatal, se não tratada a tempo.

A 19ª Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza em Santa Catarina começou no dia 17 de abril e se estende até 26 de maio, sendo o dia 13 de maio o dia D de mobilização nacional. Durante os dias de 17 a 21 de abril, o Governo do Estado priorizou a imunização das pessoas com 60 anos ou mais e dos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais. Esse público representou 72% das internações e 77% dos 108 óbitos notificados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza em 2016.

O público alvo da campanha em 2017 foi ampliado a partir da inclusão dos professores do ensino básico e superior das escolas públicas e privadas. Devem também ser vacinados os indivíduos com 60 anos ou mais; crianças entre seis meses e menores de cinco anos; gestantes; as puérperas - até 45 dias após o parto; os trabalhadores de saúde; os povos indígenas; os grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; os adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES

- Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) – Vigilância de gripe em Santa Catarina: http://www.gripe.sc.gov.br

- Protocolo de Tratamento de Influenza - 2015: http://portalsaude.saude.gov.br/images/pdf/2015/dezembro/17/protocolo-influenza2015-16dez15-isbn.pdf

- Síndrome Gripal/SRAG – Classificação de Risco e Manejo do Paciente: http://www.dive.sc.gov.br/conteudos/imunizacao/publicacoes/Classificacao_de_Risco_e_Manejo_do_Paciente_SG_SRAG.pdf


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