Vigilância das Meningites em Santa Catarina no período de 2014 até 2016

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A meningite é uma doença grave de transmissão respiratória, evolução rápida, cujo prognóstico depende do diagnóstico precoce e, consequentemente, da instituição imediata de tratamento adequado, e pode ser causada por  uma multiplicidade de agentes como vírus, bactérias, fungos, entre outros. De um modo geral, a meningite bacteriana   é a mais grave e, dentre elas, merece atenção especial a Doença Meningocócica, que pode se apresentar  como meningite meningocócica, Meningococcemia ou a associação das duas MM+MCC, também são consideradas graves a Meningite por Haemophilus influenzae B (Hib) e a meningite por Streptococcuspneumoniae.

A suscetibilidade é geral, entretanto, o grupo etário de maior risco são as crianças menores de 05 anos, principalmente as menores de 01 ano. A meningite tem distribuição universal e faz parte da Lista Nacional de Doenças de Notificação Compulsória: todos os casos suspeitos ou confirmados devem ser notificados por profissionais da área   de assistência, vigilância, laboratórios públicos e privados, universidades, entre outros, por intermédio de contato telefônico, fax, e-mail ou outras formas de  comunicação.

 

Meningites em Santa Catarina

No estado de Santa Catarina, historicamente, a incidência dos casos confirmados das meningites, em geral, tem mantido comportamento endêmico com pequenas oscilações. Nos últimos 3 anos (Figura 1), a taxa de incidência variou de 11.9 por 100.000 habitantes em 2015 (803 casos) a 10.0 (694 casos) por 100.000 habitantes em 2016.

Fonte: SINAN/DIVE/SES/SC*dados até SE 52/2016, sujeitos a revisão.

Figura 1: Número de casos e incidência de meningites em geral, Santa Catarina 2014-2016*

 

Ao avaliarmos especificamente as meningites bacterianas,que são as de maior relevância em saúde pública (Doença Meningocócica, Meningite por Haemophilus, meningite Pneumocócicas), observa-se, em Santa Catarina, comportamento endêmico com pequenas variações nas 3 etiologias:

 

Doença meningocócica

Entre 2014 e 2016, foram confirmados 107 casos de Doença Meningocócica (DM) em Santa Catarina. A taxa de incidência variou de 0,49 a 0,46 por 100.000hab nos anos de 2014 e 2015, permanecendo abaixo da média nacional que é de 0,83 e 0,63 casos por 100.000 habitantes. Já em 2016, verifica-se que a média do Estado  (0,62/100.000hab) ultrapassou a média nacional (0,57/100), observando-se que há uma tendência de diminuição da incidência da DM no Brasil.

 

Fonte:MS/SINAN/DIVE/SES/SC*dados até a semana 52/2016, sujeitos a revisão.

Tabela 1 - Casos e incidência de doença meningocócica por 100.000 habitantes no Brasil e em Santa Catarina nos anos de 2014 a 2016.

 

Analisando a Doença Meningocócica por faixa etária no Estado de Santa Catarina, observamos uma distribuição por todas as faixas etárias, com acometimento maior em menores de 05 anos com 37 casos (34,6%); nas outras faixas etárias, destacaram-se os adultos entre 20 a 34, com 17% dos casos.

 

Fonte: Sinan/DIVE/SES/SC* dados até semana 52/2016, sujeitos a revisão.

 

Do total de 52 amostras identificadas para doença meningocócica, o sorogrupo que prevaleceu foi o C (50%) W (23%), seguidas do sorogrupo B (20%) sorogrupo A (4,0%) e sorogrupo X, com 2,0% dos casos.

Fonte: SES/LACEN/SC*dados até SE 52/2016, sujeitos a revisão.

Figura 2 - Distribuição dos sorogrupos de Neisseria meningitides identificados em Santa Catarina de 2010 a 2016

 

Em meados de 2015, a partir da implantação da metodologia por PCR no Lacen /SC, foi crescente o número de amostras com identificação do sorogrupo, facilitando o diagnóstico correto de casos que deixam de ser  realizados somente pelo critério clínico. Ao avaliarmos um período maior da ocorrência da doença meningocócica (2010 a 2016) quanto à identificação dos sorogrupos circulantes no estado de SC, Figura- 2, observa-se que predominaram nas amostras os sorogrupos C (42,5%) e B (35,4%), também constata-se aumento na identificação   do sorogrupo W(20,4%); No cenário representado graficamente, está sendo monitorada, particularmente, a ocorrência dos sorogrupos C e W, para assegurar que se trata do aprimoramento de método de diagnósticos implantado recentemente no Lacen/SC(PCR) ou de provável aumento na circulação destes sorogrupos. O maior número de amostras com sorogrupos identificados pertence às regionais de Itajaí, Florianópolis e Blumenau.

 

Meningite pneumocócica

Foram Confirmados 124 casos, com a taxa de incidência que variou entre 0,52 por 100.000 habitantes em 2014 a 0,66 em 2015, a faixa etária mais acometida, a exemplo das DM, foram os menores de 05 anos com 20 casos (16%), entre os adultos, os mais acometidos situam-se casos na faixa etária entre 35 a 49 anos(27%).

 

Meningite por Haemophilus influenzae

No período, foram confirmados 7 casos de MH em Santa Catarina. O ano de 2014 registrou o maior número de casos (57%), a incidência variou de 0,1 em 2014 para 0,01 em 2015. Estas taxas acompanham o comportamento da doença no país que, após a introdução da vacina, teve uma redução de 90% na taxa de incidência. A faixa etária mais atingida foram os menores de 05 anos, com 33%. Nas outras faixas etárias, a proporção foi de 15%, respectiva- mente, para grupos de adultos e adultos jovens (faixa etária de 15 a 64 anos).

 

Fonte: SES/LACEN/SC*dados até SE 52/2016, sujeitos a revisão.

Tabela 2 - Distribuição de casos e letalidade de meningites segundo etiologia Santa Catarina 2014 a 2016

 

Os dados apresentados na tabela 2 evidenciam as altas taxas de letalidade destas 3 etiologias; a doença meningocócica apresentou taxas que variaram de 37,5 em 2015 a 18,60 em 2016, o estado de Santa Catarina manteve-se abaixo da média nacional, que alcança taxas de até 50%. Na meningite pneumocócica, o número de casos tem se mantido estável, no entanto, observa-se no período um decréscimo significativo na taxa de letalidade, que variou de 40,0 em 2014 a 16,28 em 2016; o menor número de casos e taxa de letalidade ocorreu na meningite por Haemophilus influenza com ausência de óbitos nos últimos dois anos.

 

Meningites em geral

Quanto à etiologia das meningites em geral, Tabela - 3, entre os 2.036 casos confirmados, as virais prepon- deraram com 928 casos (45,6%), seguidas das formas bacterianas 447 (22,0%) não especificadas 380 (18,7%), outras etiologias 208 (10,2%), tuberculosa 73 (3,6%) do total de casos.

 

Fonte: SINAN/DIVE/SES/SC*dados até SE 52/2016, sujeitos a revisão.

Tabela - 3 Distribuição e percentual dos casos confirmados de meningites em geral segundo etiologia, Santa Catarina 2014 a 2016.

 

Em relação à faixa etária, os registros apontam a ocorrência de casos de meningites em geral em todas as idades, no entanto, o maior número de casos incidiu nos menores de 05 anos (24%), seguidos dos adultos jovens de 20 a 34 anos e de 35 a 49 anos de idade com a proporção de 18,7% e 18,8%, respectivamente, estes dados reafirmam a vasta literatura que menciona a possibilidade de ocorrência das meningites em todas as idades, no entanto, o grupo mais vulnerável são os menores de 05 anos. No período avaliado, ocorreram 153 óbitos por meningites em geral, as taxas de letalidade situaram-se em 25,2% nas meningites por outras etiologias, 20,3% na meningite tuberculosa, 12,5% meningite bacteriana, 3,2% na etiologia não especificada e 1,8 nas meningites virais.

 

Considerações

É inegável o impacto que as meningites causam na sociedade. Independente da etiologia viral ou bacteriana, geralmente são acompanhadas de grande repercussão nas comunidades, principalmente em decorrência da desinformação a respeito das formas de transmissão da doença. A ação conjunta de profissionais de saúde quanto ao diagnóstico precoce, notificação oportuna e investigação adequada SinanNet, a parceria e o empenho da rede de laboratórios e hospitais são essenciais para identificação do agente etiológico das meningites; também o monitoramento dos sorogrupos da doença meningocócica é determinante na detecção do aumento de casos e possível ocorrência de surtos.

No calendário vacinal brasileiro, são preconizadas vacinas para Haemoflilus b (hib) e meningo C em crianças de 01 ano de idade. Esta estratégia é fundamental na redução drástica do número de casos por estes agentes; em janeiro de 2017, foi adicionada ao calendário a vacina meningocócica C conjugada para adolescentes de 12 e 13 anos, com objetivo de impedir o deslocamento da doença para estes grupos etários, sendo esta mais uma medida importante na prevenção da doença.

Apesar de as meningites, em geral, apresentarem historicamente comportamento endêmico no estado, é necessário monitoramento constante, vigilância oportuna e adequada com objetivo de gerar indicadores de qualidade que possam traduzir a efetividade da Vigilância das Meningites no Estado de Santa Catarina.

 

EXPEDIENTE

O informativo Epidemiológico Barriga Verde é um boletim da Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina.

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