Dive/SC orienta sobre medidas de prevenção da leishmaniose visceral

O primeiro caso autóctone de leishmaniose visceral humana de Santa Catarina foi confirmado nesta quarta-feira (16) pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina (Lacen). Trata-se de um homem de 53 anos, morador do Saco dos Limões, em Florianópolis, que está internado desde o dia 9 de agosto, no Hospital Universitário, em estado estável. “Estamos acompanhando o caso e prestando todo apoio necessário ao município de Florianópolis”, afirma Eduardo Macário, diretor da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE) da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES/SC).
 
Atualmente, o risco de transmissão de leishmaniose visceral humana em Santa Catarina está localizado somente no município de Florianópolis, pois é o único com registro de transmissão ativa de leishmaniose visceral canina. “Nos demais municípios do estado, a orientação é manter o monitoramento dos cães para identificar possíveis sintomáticos da doença, tendo em vista que os casos nos animais costumam preceder os casos em humanos, funcionando como um evento sentinela”, explica o médico infectologista Fábio Gaudenzi, superintendente em Vigilância em Saúde da SES/SC.
 
A leishmaniose é uma doença infecciosa grave, com alta taxa de letalidade, causada pelo parasita Leishmania chagasi. A transmissão do parasita ao homem ocorre por um flebótomo, pequeno inseto conhecido como ‘mosquito-palha’, que tenha se alimentado do sangue de um animal hospedeiro (reservatório): cão, em área urbana, e animais silvestres (gambás e raposas, por exemplo), em áreas de mata. O cão, por ser um animal doméstico e estando intimamente próximo ao ser humano, representa um risco à saúde pública quando doente.
 
 
Atenção aos sintomas
 
As pessoas devem ficar atentas aos sinais e sintomas da doença. Nos cães, ela costuma se apresentar com emagrecimento; queda dos pelos; apatia; descamação ao redor dos olhos, focinho e ponta das orelhas; crescimento exagerado das unhas; conjuntivite ou outros distúrbios oculares; aumento de volume na região abdominal; diarreia, hemorragia intestinal e inanição. Um médico veterinário deverá ser acionado para o devido diagnóstico.
 
Nos humanos, a leishmaniose visceral apresenta-se com os seguintes sinais e sintomas:
febre intermitente que pode durar por semanas; fraqueza; perda de apetite; emagrecimento;  anemia; palidez; aumento do baço e do fígado; comprometimento da medula óssea; problemas respiratórios; diarreia; sangramentos na boca e nos intestinos. Os indivíduos que apresentarem essas condições devem procurar uma unidade de saúde o mais rapidamente possível, para o devido diagnóstico e início do tratamento. O tratamento é oferecido gratuitamente pela rede pública de saúde e deve ser feito em ambiente hospitalar.
 
 
Prevenção
 
O ‘mosquito-palha’, transmissor da leishmaniose, se reproduz em locais sombreados e com acúmulo de matéria orgânica em decomposição.  Por isso, a melhor forma de prevenção é a limpeza dos terrenos e casas, realizar a poda periódica das árvores, embalar bem o lixo, vedar as composteiras, além de evitar a criação de porcos e galinhas em área urbana.
 
Em áreas próximas a matas ou com transmissão de leishmaniose, recomenda-se a instalação de telas nas janelas das casas e o uso de camisa de manga comprida, calça, boné e botas, especialmente a partir das 17h, horário de maior atividade do ‘mosquito-palha’. Indica-se, também, a utilização de coleiras repelentes de insetos nos cães sob a orientação de um médico veterinário.
 
 
Situação epidemiológica
 
Até maio deste ano, Florianópolis havia identificado 17 cães com diagnóstico positivo para leishmaniose visceral, sendo 5 eutanasiados, conforme informações do Centro de Controle de Zoonoses municipal. Em 2016, 56 apresentaram diagnóstico positivo, dos quais 47 foram eutanasiados ou morreram. Em 2015, 74 cães foram reagentes, dos quais 38 foram eutanasiados ou morreram.
 
Nas demais cidades, Santa Catarina totalizou 17 casos suspeitos de leishmaniose visceral canina em 2016. Seis cães receberam diagnóstico positivo, todos casos com transmissão fora do estado (importados). Desses, três foram eutanasiados. Em 2015, 10 casos suspeitos foram notificados, com 3 confirmações (importados) e nenhuma eutanásia.
 
Já em relação à leishmaniose visceral humana, trata-se do primeiro caso de transmissão autóctone da doença em Santa Catarina. Em 2016, houve registro de dois casos importados de leishmaniose visceral humana, de pessoas que contraíram a doença em outros estados – uma em Minas Gerais e outra no Maranhão. Em 2015, não houve registro de casos importados da doença.
 
Conforme Portaria GM/MS n 1.138, de 23 de maio de 2014, e da Resolução n 1.000, de 11 de maio de 2012, do Conselho Federal de Medicina Veterinária, seguindo recomendação da Organização Mundial da Saúde, todos os cães que receberem diagnóstico positivo de leishmaniose visceral canina deverão ser eutanasiados por representarem ameaça à saúde pública.  
 
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