Informe Epidemiológico n° 13/2018 – Vigilância da influenza (Atualizado em 27 de junho de 2018)

Visualizar em PDF

 

A vigilância da influenza, no Brasil, é composta pela sentinela de síndrome gripal (SG), de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e pela vigilância universal de SRAG.

Vigilância sentinela da influenza

A vigilância sentinela conta com uma rede de unidades distribuídas em todas as regiões geográficas do país e tem como objetivo principal identificar os vírus circulantes, além de permitir o monitoramento da demanda de atendimento por essa doença. Os dados são coletados por meio de formulários padronizados e inseridos no sistema de informação online SIVEP-GRIPE. Atualmente, estão ativas 252 Unidades Sentinelas, sendo 140 de SG, 112 de SRAG em UTI e 17 sentinelas mistas. Em Santa Catarina, temos 7 Unidades Sentinelas em três municípios:

Joinville: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Regional Hans Dieter Schmidt e Hospital Jeser Amarante Faria) e 1 unidade de SG (UPA 24h Aventureiro);
Florianópolis: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Nereu Ramos e Hospital Infantil Joana de Gusmão) e 1 de SG (UPA Sul da Ilha);
São José: 1 Unidade de SG no Hospital Regional Homero de Miranda Gomes. 

Vigilância universal da influenza

As informações contidas neste informe são oriundas da vigilância universal da síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que monitora os casos hospitalizados e óbitos com o objetivo de identificar o comportamento do vírus Influenza, orientando os órgãos de saúde na tomada de decisão frente à ocorrência de casos graves de SRAG causados pelo vírus.

Os dados são coletados pelas Secretarias Municipais de Saúde, por meio de formulários padronizados, e inseridos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação on-line: SINAN Influenza Web. As amostras laboratoriais são coletadas e encaminhadas para a análise no LACEN/SC. As informações apresentadas neste informe são referentes ao período que compreende as semanas epidemiológicas (SE) 01 a 25 de 2018, ou seja, casos com início dos sintomas em 31/12/2017 até os registrados em 20/06/2018.

A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) abrange casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória que, na maioria dos casos, leva à hospitalização, sem outra causa específica. As causas podem ser vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B, ou bactérias, fungos e outros agentes.

Vigilância universal da síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em Santa Catarina Perfil de casos por SRAG

De 31 de dezembro de 2017 a 27 de junho de 2018 (SE 26), foram notificados 961 casos suspeitos de SRAG em Santa Catarina.
Desse total de notificações, 179 (18,6%) foram confirmados para influenza; destes, 85 (47,5%) pelo vírus A(H1N1)pdm09, 79 (44,1%) pelo vírus A(H3N2), 9 (5,0%) pelo vírus Influenza B e 6 (3,4%) aguardam subtipagem.

Outros 419 casos (43,6%) tiveram resultado negativo para Influenza A e B (SRAG não especificada), 274 (28,5%) foram ocasionados por outros vírus respiratórios e 89 (9,3%) encontram-se em investigação, aguardando confirmação laboratorial, conforme a Tabela 1.

 

Tabela 1: Casos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. SC, 2018.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações.


Os municípios que apresentaram casos confirmados de SRAG pelo vírus Influenza foram: Florianópolis, com 22 casos; Tubarão, com 17 casos; Blumenau, com 16 casos; São José, com 14 casos; Criciúma, com 11 casos; Joinville, com 10 casos; Laguna, com 7 casos; Itajaí, com 6 casos; Jaraguá do Sul e Maravilha, com 5 casos; Biguaçu e Ituporanga com 4 casos cada; Araranguá, Braço do Norte, Palhoça e Videira, com 3 casos cada; Chapecó, Itapema, Leoberto Leal, Rodeio, Santo Amaro da Imperatriz, São Miguel da Boa Vista e Tijucas, com 2 casos cada; Antônio Carlos, Apiúna, Balneário Camboriú, Brusque, Camboriú, Canelinha, Capivari de Baixo, Coronel Freitas, Dona Emma, Guarujá do Sul, Ibirama, Içara, Indaial, Iraceminha, Irani, Jaguaruna, Lages, Lebon Régis, Mafra, Nova Trento, Nova Veneza, Peritiba, Pescaria Brava, Pomerode, Porto União, São Bento do Sul, São Ludgero, São Miguel do Oeste, Schroeder, Timbó e União do Oeste, com 1 caso cada; e 1 caso pertencente ao estado do Paraná, como mostra a Figura 1 e o Anexo A.
Classificação 

 

Figura 1: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo município de residência. SC, 2018.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações.


Em relação à idade, a maioria dos casos de SRAG confirmados por influenza acometeram indivíduos nas faixas etárias acima de 60 anos (49 casos), de 50 a 59 anos (5 óbitos cada), como se pode ver na Tabela 5.

 

Tabela 2: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2018.
Faixa 

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações.


Dos 179 casos de SRAG confirmados como influenza, 110 (61,5%) apresentaram algum fator de risco associado, dos quais 49 (44,5%) idosos (acima de 60 anos), 30 (27,3%) portadores de doenças crônicas, 14 (12,7%) crianças menores de 2 anos, 8 (7,3%) gestantes e 9 (8,2%) obesos, (Tabela 3).

 

Tabela 3: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo fatores de risco. SC, 2018. 

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações.


Desses 179 casos, 145 evoluíram para a cura, 14 evoluíram para óbito e 20 ainda aguardam conclusão da investigação. Dos pacientes que evoluíram para a cura, 21 não fizeram uso do antiviral Oseltamivir (Tamiflu) e 102 fizeram uso do antiviral, em média, 3 dias após o início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e, pelo menos, mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia); quanto aos demais pacientes,53 fizeram uso de Tamiflu de 4 a 24 dias após o início dos sintomas e para 2 não há essa informação.

Os casos confirmados de SRAG por influenza tiveram o início dos sintomas na Semana Epidemiológica (SE) 01 (de 31/12/2017) e continuam apresentando-se de forma estável conforme o esperado para o período. O vírus Influenza A(H3N2) começou a circular já na SE 01, o Influenza A(H1N1)pdm09 na SE 09 e o Influenza B na SE 03. Observa-se, também, um número significativo de casos de SRAG por outros vírus respiratórios, como mostra o Gráfico 1.

 

 Gráfico 1: Casos de SRAG hospitalizados. Classificação Final por SE de início dos sintomas. SC, 2018. 

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (atualizado em 27/06/2018) 

 

Perfil dos óbitos em Santa Catarina


Até o dia 27/06/2018, do total de casos de SRAG notificados, 85 evoluíram para óbito. Destes, 14 (16,5%) foram confirmados por Influenza, sendo 6 (42,9%) pelo subtipo A(H1N1)pdm09, 6 (42,9%) pelo subtipo A(H3N2), 1 (7,1%) pelo tipo B e 1 (7,1%) está aguardando a subtipagem para identificação do tipo de vírus. Outros 54 (63,5%) óbitos tiveram resultado negativo para os vírus Influenza A e B, sendo classificados como SRAG não especificada, 14 (16,5%) óbitos foram causados por outros vírus respiratórios e 3 (3,5%) estão aguardando subtipagem para confirmação do vírus, como mostram os dados da Tabela 4.

Tabela 4: Óbitos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. SC, 2018.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações.


Os óbitos confirmados por SRAG Influenza acometeram pacientes residentes em Florianópolis e São José (3 óbitos cada), Blumenau e Jaraguá do Sul (2 óbitos cada), Leoberto Leal, Nova Trento, São Miguel da Boa Vista e Videira (1 óbito cada).
Em relação à idade, a maioria dos óbitos de SRAG confirmados por influenza acometeram indivíduos nas faixas etárias acima de 60 anos (7 óbitos), de 50 a 59 anos (5 óbitos cada), como se pode ver na Tabela 5.


Tabela 5: Óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2018.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações. 

 

Dos 14 óbitos de SRAG por influenza, 13 (92,9%) apresentaram algum fator de risco para agravamento e 1 (7,1%) não apresentou fator de risco associado, como informa a Tabela 6. Desses, 2 pacientes fizeram uso de Oseltamivir 1 dia após o início dos sintomas, 8 fizeram uso somente após 3 e 7 dias do início dos sintomas e 4 não fizeram uso do medicamento.

 

Tabela 6: Óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo fatores de risco. SC, 2018.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações.


Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus Influenza 2016-2018

O monitoramento dos casos de SRAG confirmados por influenza, por meio do SINAN Influenza Web, indica que, no período de 2016, observa-se um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da SE 09 (28/2 a 5/3), com um pico na SE 14 (3 a 9/4), logo após, verifica-se uma queda no número de casos até a SE 21 (22 a 28/5). Em 2017, até a SE 52, os casos apresentados permaneceram dentro do esperado para o período. Em 2018, até o momento, os casos seguem a mesma tendência de 2017, considerando-se também que há uma circulação de Influenza A(H1N1) maior do que naquele ano, de acordo com o Gráfico 2.

 

Gráfico 2: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo Semana Epidemiológica (SE) do início dos sintomas. SC, 2016-2018.*

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações. 

 

Os meses de janeiro a abril sempre tiveram baixa circulação do vírus Influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, 8 casos em 2012, 21 casos em 2013, 7 casos em 2014 e 6 casos em 2015. Em 2016, nesse mesmo período, foram confirmados 404 casos de SRAG por influenza, uma ocorrência atípica para esse tipo de vírus. Os meses de maio a agosto são aqueles em que, historicamente, há maior circulação do vírus Influenza, e a ocorrência de casos em 2016 acompanhou a tendência histórica. Em 2017, os números acompanham as tendências apresentadas até o ano de 2015 e, a partir do mês de agosto, registramos historicamente nova queda no número de casos pela diminuição da circulação do vírus. Em 2018, até o momento, os números estão dentro do limite histórico esperado para o período, de acordo com a Tabela 7.

 

Tabela 7: Casos confirmados de SRAG por influenza de acordo com o mês de início dos sintomas. SC, 2012-2018.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações.


Em relação aos tipos de vírus Influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve o predomínio do vírus Influenza A(H1N1)pdm09, com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013, o vírus Influenza A(H1N1)pdm09 também predominou, com 229 casos e 34 óbitos; no entanto, os casos de Influenza A(H3N2) também foram significativos, apresentando 133 casos e 6 óbitos. Em 2014, ocorreu um predomínio na circulação do vírus Influenza A(H3N2), com 146 casos e 9 óbitos. Em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus. Em 2016, houve o predomínio do vírus Influenza A(H1N1)pdm09, com 722 casos e 114 óbitos. Em 2017, o vírus que circulou foi o A(H3N2), com 233 casos e 29 óbitos. Em 2018, até o momento, os vírus que estão circulando são o Influenza A(H3N2) e o Influenza A(H1N1)pdm09, como se pode ver na Tabela 8.

 

Tabela 8: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo classificação final. SC, 2012- 2018.

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações.


Considerações Finais


Em 2018, até o momento, há registros de casos de influenza dentro do esperado para o período que antecede a sazonalidade, que vai do início de maio e até o final de agosto. Há predomínio dos vírus Influenza A(H1N1) e influenza A(H3N2) acometendo idosos e adultos portadores de comorbidades (doenças crônicas), indicando uma tendência de co-circulação desses dos subtipos de vírus quando comparado ao ano de 2017, em que o predomínio quase absoluto foi do subtipo A(H3N2).

O perfil de casos mostra a importância de a população procurar o serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe para o tratamento adequado, em especial os portadores de fatores de risco para agravamento e óbito (idosos, doentes crônicos etc.), pois estes têm maior probabilidade de apresentar complicações quando infectados pelo vírus Influenza.

Devem ser reforçadas as medidas de prevenção, principalmente lavar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. Também é necessário manter limpos com álcool objetos e superfícies que entram em contato frequente com as mãos, como mesas, teclados, maçanetas e corrimãos, além de não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres.

Os serviços de saúde devem estar sempre preparados para promover o atendimento adequado aos casos de síndrome gripal, reforçando as medidas de manejo clínico dos casos. O uso do antiviral (Oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal ou da confirmação laboratorial. A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza para esses pacientes, e o antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico se o tratamento puder ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A gripe causada pelo vírus Influenza é uma doença grave que causa danos à saúde das pessoas há muitos séculos. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas no ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou uma superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão que pode ser grave e até fatal se não tratada a tempo.
A 20ª Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza em Santa Catarina foi realizada entre os dias 23 de abril e 8 de junho, sendo o dia 12 de maio o dia D de mobilização nacional.
A DIVE devido à baixa cobertura vacinal, orienta que os municípios continuem vacinando os grupos prioritários além das crianças de 3 a 5 anos de idade e dos adultos de 50 a 59 anos, até o termino das doses. Alerta também que todas as crianças que receberam a vacina pela primeira vez devem retornar às unidades de saúde para receber a segunda dose. Só assim estarão imunizadas contra a doença.
O público-alvo da campanha em 2018 compreende: crianças entre 6 meses e 5 anos; gestantes; puérperas – até 45 dias após o parto; indivíduos com 60 anos ou mais; trabalhadores da saúde; professores do ensino infantil, fundamental e médio de escolas públicas e privadas e do ensino superior público e privado; povos indígenas; grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade; e funcionários do sistema prisional.

Outras informações

- Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) – Vigilância de gripe em Santa Catarina: http://www.gripe.sc.gov.br
- Protocolo de tratamento da influenza, 2017: http://www.gripe.sc.gov.br/partials/material/ProtocoloTratamentoInfluenza.pdf 
- Síndrome gripal/SRAG – Classificação de risco e manejo do paciente: http://www.dive.sc.gov.br/gripe/img/fluxograma_gripe_novo.pdf  

 

ANEXO A: Casos e óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo subtipo viral por município de residência. SC, 2018 

Fonte: SINAN INFLUENZA WEB (Atualizado em: 27/06/2018). Dados sujeitos a alterações.

 


Topo