Informe nº15 situação do Sarampo no Brasil - 2018

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I - ANTECEDENTES

O Sarampo é uma doença infecciosa exantemática aguda, transmissível e extremamente contagiosa, podendo evoluir com complicações e óbitos, particularmente em crianças desnutridas e menores de um ano de idade.

A transmissão ocorre de pessoa a pessoa, por meio de secreções respiratórias, no período de quatro a seis dias antes do aparecimento do exantema até quatro dias após.

Nos últimos anos, casos de sarampo tem sido reportados em varias partes do mundo e segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os países dos continentes europeu e africano registraram o maior número de casos da doença.

No Brasil, os últimos casos de sarampo foram registrados no ano de 2015, em surtos ocorridos nos estados do Ceará (211 casos), São Paulo (dois casos) e Roraima (um caso), associados ao surto do Ceará. Em 2016, o Brasil recebeu o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo pela OMS, declarando a região das Américas livre do sarampo.

A Venezuela enfrenta desde julho de 2017 um surto de sarampo, sendo a maioria dos casos provenientes do estado de Bolívar. A atual situação sociopolítica econômica enfrentada pelo país ocasiona um intenso movimento migratório que contribuiu para a propagação do vírus para outras áreas geográficas.

 

II - SITUAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA

II.1 - Roraima

Na Venezuela, o surto de sarampo já atingiu nove dos 23 estados. O município de Caroní localizado no estado de Bolívar, até o momento confirmou o maior número de casos da doença. O estado de Roraima vem recebendo imigrantes desse País, que encontram-se alojados em abrigos, residências alugadas e praças públicas.

Em 14/02/2018, a Secretaria de Saúde do Estado de Roraima (SES/RR) notificou ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) do Ministério da Saúde um caso suspeito de sarampo, no município de Boa Vista/RR. Tratava-se de uma criança, de um ano de idade, venezuelana, que apresentou febre, exantema, acompanhado de tosse, coriza e conjuntivite, sendo confirmado por critério laboratorial.

Até o dia 23/07, foram notificados 423 casos suspeitos de sarampo, sendo 243 no município de Boa Vista, 74 em Amajari, 53 em Pacaraima, 13 em Cantá, 09 em Rorainópolis, 06 em Caracaraí, 03 em Alto Alegre, 02 em Iracema e, em Caroebe, São João da Baliza, São Luiz do Anauá e Uiramutã, um caso notificado em cada município. Entre os casos notificados, 16 casos foram atendidos no Brasil, mas residem na Venezuela, nos municípios de Gran Sabana (13 casos), Ciudad Bolivar (01 caso), Maracaibo (01 caso) e Sifontes (01 caso) (Tabela 1).

 

 

Do total de casos notificados, 45 foram descartados, 272 foram confirmados e 106 estão em investigação. Em relação aos 272 casos confirmados, 190 (69,8%) são venezuelanos, 79 (29%) são brasileiros, 01 (0,4%) caso é procedente da Guiana, 01 caso é procedente da Coreia (0,4%) e 01  (0,4%) da Argentina. A faixa etária mais acometida pela doença em  brasileiros foi de seis meses a 4 anos de idade, representado 43 (54,4%) casos.  Já  na  populaçãovenezuelana, o maior número de casos está concentrado na população de 1 a 9 anos de idade, representando 90 (47,4%) casos. Foi confirmado apenas um caso procedente da Argentina, estando  na faixa etária   de 20 a 29 anos, um caso procedente da Guiana, na faixa etária de 10 a 14 anos, e um caso da Coréia na faixa etária menor de seis meses. Dos casos confirmados, 134 (49,8%) são indígenas (Tabela2).

Do total de casos que permanecem em investigação, 81 são brasileiros e 25 venezuelanos. Em relação a faixa etária dos casos em investigação, a população brasileira de seis meses a 4 anos de idade representa 48 (59,3%) casos, e na população venezuelana, a faixa etária de 6 meses a 4 anos representa 15 (60%) casos. E ainda entre os casos em investigação, 7 (6,6%) são indígenas (Tabela 2).

 

 

A incidência dos casos confirmados de sarampo no estado de Roraima é de 61,3/100.00 hab. Quando calculadas as incidências dos casos confirmados por faixa etária, observa-se uma maior incidência nos menores de 1 ano (524,9/100.00 hab.), grupo que não possui recomendação de vacinação na rotina, porém, em situações de surto, é prioritário para vacinação na contenção da doença (Tabela 3).

 

 

De acordo com a curva epidêmica dos casos notificados de sarampo, por Semana Epidemiológica (SE) da data de início do exantema e classificação final, podemos observar uma maior concentração de casos entre as SE 9 e 15, correspondendo aos meses de fevereiro e março. Observa-se também uma redução na notificação de casos a partir da SE 20 (Figura 1).

 

 

I.2 - Amazonas

No Estado do Amazonas, os últimos casos confirmados de sarampo foram registrados no ano de 2000. Contudo, no período de 06 de fevereiro a 23 de julho de 2018, foram notificados 4.410 casos, e destes 519 (11,7%) foram confirmados, 166 (3,7%) descartados e 3.725 (84,5%) permanecem em investigação. Até o momento, todos os casos confirmados são brasileiros, residentes de Manaus e o genótipo identificado foi o D8, idêntico ao genótipo que está em circulação em Roraima e na Venezuela.

Dentre os 4.410 casos notificados de sarampo, 3.528 foram notificados em Manaus e 693 em Manacapuru, totalizando 95,7% dos casos. Outros 189 casos notificados estão distribuídos em 30 municípios do Estado (Tabela 4).

 

 

Considerando as características sociodemográficas dos 4.410 casos notificados, todos são brasileiros e 2.431 (55,1%) são do sexo masculino. Em relação à faixa etária, o maior número de casos notificados se concentra na população de 15 a 29 anos representando 1.985 (45%) casos.

Dos 519 casos confirmados, 279 (53,8%) são do sexo masculino e a faixa etária com maior concentração de casos está nos menores de 5 anos, com 240 (46,2%) casos. Em relação aos 3.725 casos que permanecem em investigação, 2.058 (55,2%) são do sexo masculino, estando o maior número de casos concentrados na população de 15 a 29 anos de idade, representando 1.801 (48,3%) casos (Tabela 5).

 

 

A incidência dos casos confirmados de sarampo no município de Manaus é de 24,4/100.00 hab. Quando calculadas as incidências dos casos confirmados por faixa etária, observa-se uma maior incidência nos menores de 1 ano, faixa etária na qual a vacinação de rotina não é recomendada (Tabela 6).

 

 

De acordo com a curva epidêmica dos casos notificados de sarampo, por Semana Epidemiológica (SE) da data de início do exantema e classificação final, podemos observar um aumento da notificação de casos a partir da SE 19 (Figura 2).

 

 

II.3 - Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo, Pará e Rondônia

Até o momento, no Brasil, além dos surtos de sarampo nos estados do Amazonas e Roraima, cinco Unidades Federadas também confirmaram casos de sarampo: 14 casos no Rio de Janeiro, 13 casos no Rio Grande do Sul, dois casos no Pará, um caso em São Paulo, e um caso em Rondônia.

 

 

Em relação à caracterização viral, no Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Pará e Rio Grande do Sul, o genótipo identificado foi o D8 idêntico ao que está circulando na Venezuela, Amazonas e Roraima, com exceção de dois casos: um caso do Rio Grande do Sul, que viajou para a Europa e importou o genótipo B3, e outro caso de São Paulo com genótipo D8, mas que tem história de viagem ao Líbano, sem qualquer relação com os surtos da Venezuela e Brasil.

 

III - Imunização

O Ministério da Saúde, de janeiro a julho de 2018, encaminhou aos Estados de Rondônia, Amazonas, Roraima, Pará, Rio de Janeiro São Paulo e Rio Grande do Sul, o quantitativo de 9.165.300 doses da vacina tríplice viral, conforme Tabela 7, para atender a demanda dos serviços de rotina e a realização de ações de bloqueio, intensificação e campanha de vacinação para prevenção de novos casos de sarampo.

 


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