Boletim Epidemiológico n° 27/2019 Vigilância entomológica do Aedes aegypti e situaçãoepidemiológica dedengue, febre dechikungunyae zika vírus em Santa Catarina (Atualizado em 19/10/2019 – SE 42/2019)

 

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A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) divulga o boletim n° 27/2019 sobre a situação da vigilância entomológica do Aedes aegypti e a situação epidemiológica de dengue, febre dechikungunya e zika vírus, com dados até a Semana Epidemiológica (SE) n°42(30 de dezembro de 2018 a 19 de outubro de 2019).

>>Vigilância entomológica do Aedes aegypti

No período de 30 de dezembro de 2018 a 19 de outubro de 2019, foram identificados 24.135 focos do mosquito Aedes aegypti em 183 municípios. Comparando ao mesmo período de 2018, quando foram identificados 13.081 focos em 155 municípios, houve um aumento de 84,5% no número de focos detectados, conforme o Gráfico 1 e a Figura 1.O aumento do número de focos nas SE 08, 09 e 11/2019 está associado ao Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa), no qual ocorreu a coleta de larvas pelos municípios infestados, para o conhecimento do Índice de Infestação Predial (IIP).
Em relação à situação entomológica, até a SE nº 42/2019, são 94 municípios considerados infestados,o que representa um incremento de 27% em relação ao mesmo período de 2018, que registrou 74 municípios nessa condição, como se pode ver no Quadro 1.
A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos.

 

Quadro 1: Municípios considerados infestados pelo mosquito Aedes aegypti. Santa Catarina, 2019.

Abelardo Luz

Cunha Porã

Modelo

Santiago do Sul

Águas de Chapecó

Cunhataí

Mondaí

São Bernardino

Águas Frias

Descanso

Navegantes

São Carlos

Anchieta

Dionísio Cerqueira

Nova Erechim

São Domingos

Araranguá

Formosa do Sul

Nova Itaberaba

São João do Oeste

Balneário Camboriú

Florianópolis

Ouro Verde

São José

Bandeirante

Galvão

Palhoça

São José do Cedro

Belmonte

Guaraciaba

Palma Sola

São Lourenço do Oeste

Biguaçu

Guarujá do Sul

Palmitos

São Miguel da Boa Vista

Bombinhas

Guatambu

Paraíso

São Miguel do Oeste

Bom Jesus

Iporã do Oeste

Passo de Torres

Saudades

Bom Jesus do Oeste

Ipuaçu

Passos Maia

Seara

Brusque

Iraceminha

Penha

Serra Alta

Caibi

Irati

Pinhalzinho

Sombrio

Camboriú

Itá

Planalto Alegre

Sul Brasil

Campo Erê

Itajaí

Porto Belo

Tigrinhos

Campos Novos

Itapema

Porto União

Tunápolis

Catanduvas

Itapiranga

Princesa

União do Oeste

Caxambu do Sul

Jaraguá do Sul

Quilombo

Vargeão

Chapecó

Jardinópolis

Riqueza

Xanxerê

Concórdia

Joinville

Romelândia

Xavantina

Cordilheira Alta

Jupiá

Saltinho

Xaxim

Coronel Freitas

Lajeado Grande

Santa Helena

 

Coronel Martins

Maravilha

Santa Terezinha do Progresso

 

Fonte: DIVE/SES/SC (Atualizado em:19/10/2019).

>>Dengue

O boletim epidemiológico da DIVE utiliza as informações dos casos suspeitos notificados pelos municípios no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN On-line). Esses dados estão disponíveis para os municípios, Secretarias Estaduais de Saúde e Ministério da Saúde. Diferente do Ministério da Saúde, que divulga os casos prováveis (todos os casos notificados, excluindo-se os descartados), a DIVE divulga os casos confirmados, suspeitos e descartados, por entender que dentre os casos prováveis, muitos estão aguardando resultados laboratoriais e investigação epidemiológica.A divulgação dos casos confirmados e descartados é feita após encerramento da investigação pelo município no SINAN On-line.
No período de 30 de dezembro de 2018 a 19 de outubro de 2019,foram notificados 6.838 casos de dengue em Santa Catarina. Desses,1.891 (28%) foram confirmados(1.629 pelo critério laboratorial e 262 pelo clínico epidemiológico), 212(3%) estão inconclusivos (classificação utilizada no SINAN para os casos que, após 60 dias da data de notificação, ainda não tiveram sua investigação encerrada),4.582 (67%) foram descartados por apresentarem resultado negativo para dengue e 153(2%) estão sob investigação pelos municípios (Tabela 1).
Do total de casos confirmados até o momento, 1.687 são autóctones(transmissão dentro do estado) (Tabela 2),139 casos são importados (transmissão fora do estado), (Tabela 3),13 casos estão em investigação de LPI e 52 são indeterminados pois não foi possível definir o LPI.
Em 2019, até a SE 42, foram confirmados cinco (05) casos de Dengue com sinais de alarme, residentes nos municípios de Florianópolis (01), Porto Belo (02), Videira (01) e Xaxim (01), e um (01) caso de Dengue grave com residência no município de Porto Belo, sendo que todos evoluíram para cura.
Em relação aos casos autóctones até a SE 42, foram processadas 252 amostras para pesquisa viral pelo Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) do Estado. Foram isolados dois sorotipos,sendo que em 75,4%das amostras (190/252)foi identificado o DENV1e em 24,6%(62/252) o DENV2. Portanto, o soro tipo DENV1 circula de forma predominante no estado. Os municípios de Itapema, Balneário Camboriú, Camboriú, Porto Belo, Bombinhas, Itajaí e Florianópolis apresentam circulação simultânea dos soro tipos DENV1 e DENV2. Nos municípios de Navegantes e São João Batista ocorre apenas a circulação do sorotipo DENV1 e no município de Cunha Porã apenas o sorotipo DENV2.
O município de Itapema apresenta o maior número de casos autóctones (697) no estado, com uma taxa de incidência de 1.102,0 casos por 100 mil/hab. Além de Itapema, o município de Camboriú registrou 424 casos autóctones e incidência de 524,5 casos por 100 mil/hab., e o município de Porto Belo 115 casos autóctones com uma taxa de incidência de 552,0 casos por 100 mil/hab. A caracterização de epidemia ocorre pela relação entre o número de casos confirmados e de habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o nível de transmissão epidêmico quando a taxa de incidência é maior de 300 casos de dengue por 100 mil habitantes.

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Na comparação com o mesmo período de 2018, quando foram notificados 1.448 casos, observa-se um aumento de 372%na notificação de casos em 2019 (6.838 casos notificados), de acordo com o Gráfico 2.
Em relação aos casos confirmados, em 2019, até o momento foram confirmados 1.891 casos no estado, sendo que no mesmo período em 2018 haviam sido confirmados 57 casos (Gráfico 3).

Referente a apresentação clínica dos casos de dengue autóctones, os principais sintomas referidos são febre, cefaleia e mialgia (Gráfico 4).

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>> Febre de chikungunya


No período de 30 de dezembro de 2018 a 19 de outubro de 2019, foram notificados 596 casos de febre de chikungunya em Santa Catarina. Desses, 35 (6%) foram confirmados pelo critério laboratorial, 434(73%) foram descartados e 127 (21%) permanecem como suspeitos(Tabela 4).
Do total de 35 casos confirmados até o momento, 32 são importados (transmissão fora do estado) e 3 permanece em investigação de LPI, de acordo com a Tabelas5.

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Em comparação com o mesmo período de 2018, quando foram notificados 318 casos de febre de chikungunya, observa-se um aumento de 87%na notificação de casos em 2019 (596 casos notificados).
Em 2019, até o momento, foram confirmados 35 casos no estado; no mesmo período, em 2018, haviam sido confirmados 16 casos.

 

>>Zika vírus

No período de 30 de dezembro de 2018 a 5 outubro de 2019 foram notificados 157casos de zika vírus em Santa Catarina, sendo que 141 (90%) foram descartados, 7 (4%) foram inconclusivos e 9 (6%) permanecem como suspeitos(Tabela 6).

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Em comparação com o mesmo período de 2018, quando foram notificados 70 casos, observa-se um aumento de 124% na notificação de casos em 2019 (157 casos notificados). No ano de 2018 foi confirmado 1 (um) caso importado.


>>Sala Estadual de Situação de Coordenação e Controle ao Aedes aegypti/SC - SEEC


A Sala Estadual de Situação de Coordenação e Controle ao Aedes aegypti/SC,mantem-se ativa participando de comissões e projetos com as partes integrantes que envolvem a problemática do Aedes aegypti.

>> Situação das Salas Municipais de coordenação e controle do Aedes aegypti/SC

A Sala Estadual orienta que todos os municípios infestados permaneçam com reuniões periódicas das Salas de Situação Municipais, contando com a participação intersetorial, tanto dos órgãos municipais, como da Sociedade Civil Organizada, no intuito de avaliar e desencadear ações de intensificação do controle do Aedes aegypti.

>> O que é dengue?


Dengue é uma doença infecciosa febril causada por um arbovírus, sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Ela é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado.

A infecção pelo vírus da dengue pode ser assintomática ou sintomática. Quando sintomática, causa uma doença sistêmica e dinâmica de amplo espectro clínico, variando desde formas mais leves (oligossintomáticas) até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. Todos os quatro sorotipos do vírus da dengue circulantes no mundo (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4) causam os mesmos sintomas, não sendo possível distingui-los somente pelo quadro clínico. O termo “dengue hemorrágica” deixou de ser empregado em 2014, quando o Brasil passou a utilizar a nova classificação da doença, que leva em consideração que a dengue é uma doença única, dinâmica e sistêmica. Para efeitos clínicos e epidemiológicos, considera-se a seguinte classificação: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave.

Sinais e sintomas


Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40° C) de início abrupto, que tem duração de 2 a 7 dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, a dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.

Com a diminuição da febre, entre o 3º e o 7º dia do início da doença, grande parte dos pacientes recupera-se gradativamente, com melhora do estado geral e retorno do apetite. No entanto, alguns pacientes podem evoluir para a forma grave da doença, caracterizada pelo aparecimento de sinais de alarme, que podem indicar o deterioramento clínico do paciente.

Quadros graves


Sangramentos de mucosas (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, sonolência ou irritabilidade, hipotensão e tontura são considerados sinais de alarme. Alguns pacientes podem, ainda, apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

O choque ocorre quando um volume crítico de plasma (parte líquida do sangue) é perdido através do extravasamento nos vasos sanguíneos, ele se caracteriza por pulso rápido e fraco, diminuição da pressão de pulso, extremidades frias, demora no enchimento capilar, pele pegajosa e agitação. O choque é de curta duração e pode, após terapia apropriada, evoluir para uma recuperação rápida; mas, pode também avançar para o óbito, num período de 12 a 24 horas.

Qualquer pessoa pode desenvolver formas graves de dengue já na primeira infecção, apesar de isso ocorrer com maior frequência entre a 2ª ou 3ª infecção, devido à resposta imune individual. No entanto, crianças, gestantes e idosos, além daqueles em situações especiais (portadores de hipertensão arterial, diabetes mellitus, asma brônquica, alergias, doenças hematológicas ou renais crônicas, doença grave do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença autoimune), têm maior risco de apresentar quadros graves de dengue.

Atenção: na presença de sinais de alarme, o paciente deve retornar imediatamente ao serviço de saúde.

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, numa cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da dengue e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

>> O que é febre de chikungunya?

É uma infecção viral causada pelo vírus chikungunya, que pode se apresentar sob forma aguda (com sintomas abruptos de febre alta, dor articular intensa, dor de cabeça e dor muscular, podendo ocorrer erupções cutâneas) e evoluir para as fases subaguda (com persistência de dor articular) e crônica (com persistência de dor articular por meses ou anos). O nome da doença deriva de uma expressão usada na Tanzânia que significa "aquele que se curva".

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, em cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da febre de chikungunya e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

>> O que é febre do zika vírus?

É uma doença causada pelo vírus zika (ZIKAV), transmitido pela picada do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti, infectado. Pode manifestar-se clinicamente como uma doença febril aguda, com duração de 3 a 7 dias, geralmente sem complicações graves.

Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas. Porém, quando presentes, caracterizam-se pelo surgimento do exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia, edema periarticular e cefaleia. A artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.

>>Orientações para evitar a proliferação do Aedes aegypti:

• evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda;
• guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;
• mantenha lixeiras tampadas;
• deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;
• plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;
• trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;
• mantenha ralos fechados e desentupidos;
• lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;
• retire a água acumulada em lajes;
• dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em banheiros pouco usados;
• mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;
• evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;
• denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;
• caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

 

 


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