Boletim Epidemiológico n° 28/2019 Vigilância entomológica do Aedes aegypti e situação epidemiológica de dengue, febre de chikungunya e zika vírus em Santa Catarina (Atualizado em 09/11/2019 – SE 45/2019)

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A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) divulga o boletim n° 28/2019 sobre a situação da vigilância entomológica do Aedes aegypti e a situação epidemiológica de dengue, febre de chikungunya e zika vírus, com dados até a Semana Epidemiológica (SE) n° 45 (30 de dezembro de 2018 a 09 de novembro de 2019). 

>>Vigilância entomológica do Aedes aegypti

 No período de 30 de dezembro de 2018 a 09 de novembro de 2019, foram identificados 25.747 focos do mosquito Aedes aegypti em 184 municípios. Comparando ao mesmo período de 2018, quando foram identificados 13.905 focos em 159 municípios, observa-se um aumento de 85% no número de focos detectados, conforme o Gráfico 1 e a Figura 1. O aumento do número de focos nas SE 08, 09 e 11/2019 está associado ao Levantamento de Índice Rápido para o Aedes aegypti (LIRAa), no qual ocorreu a coleta de larvas pelos municípios infestados, para o conhecimento do Índice de Infestação Predial (IIP).

Em relação à situação entomológica, até a SE nº 45/2019, são 94 municípios considerados infestados, o que representa um incremento de 25% em relação ao mesmo período de 2018, que registrou 75 municípios nessa condição, como se pode ver no Quadro 1.

A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos. 

 

  

 

>>Dengue

O boletim epidemiológico da DIVE utiliza as informações dos casos suspeitos notificados pelos municípios no Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAN On-line). Esses dados estão disponíveis para os municípios, Secretarias Estaduais de Saúde e Ministério da Saúde. Diferente do Ministério da Saúde, que divulga os casos prováveis (todos os casos notificados, excluindo-se os descartados), a DIVE divulga os casos confirmados, suspeitos e descartados, por entender que dentre os casos prováveis, muitos estão aguardando resultados laboratoriais e investigação epidemiológica. A divulgação dos casos confirmados e descartados é feita após encerramento da investigação pelo município no SINAN On-line.

No período de 30 de dezembro de 2018 a 09 de novembro de 2019, foram notificados 7.016 casos de dengue em Santa Catarina. Desses, 1.898 (28%) foram confirmados (1.635 pelo critério laboratorial e 263 pelo clínico epidemiológico), 220 (3%) estão inconclusivos (classificação utilizada no SINAN para os casos que, após 60 dias da data de notificação, ainda não tiveram sua investigação encerrada), 4.727 (67%) foram descartados por apresentarem resultado negativo para dengue e 171 (2%) estão sob investigação pelos municípios (Tabela 1).

Do total de casos confirmados até o momento, 1.689 são autóctones (transmissão dentro do estado) (Tabela 2), 141 casos são importados (transmissão fora do estado), (Tabela 3), 14 casos estão em investigação de LPI e 54 são indeterminados pois não foi possível definir o LPI.

Em 2019, até a SE 45, foram confirmados cinco (05) casos de Dengue com sinais de alarme, residentes nos municípios de Florianópolis (01), Porto Belo (02), Videira (01) e Xaxim (01), e um (01) caso de Dengue grave com residência no município de Porto Belo, sendo que todos evoluíram para cura.

Em relação aos casos autóctones até a SE 45, foram processadas 252 amostras para pesquisa viral pelo Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN) do Estado. Foram isolados dois sorotipos, sendo que em 75% das amostras (190/252) foi identificado o DENV1 e em 25% (62/252) o DENV2. Portanto, o sorotipo DENV1 circula de forma predominante no estado. Os municípios de Itapema, Balneário Camboriú, Camboriú, Porto Belo, Bombinhas, Itajaí e Florianópolis apresentam circulação simultânea dos sorotipos DENV1 e DENV2. Nos municípios de Navegantes e São João Batista ocorre apenas a circulação do sorotipo DENV1 e no município de Cunha Porã apenas o sorotipo DENV2.

O município de Itapema apresenta o maior número de casos autóctones (697) no estado, com uma taxa de incidência de 1.102,0 casos por 100 mil/hab. Além de Itapema, o município de Camboriú registrou 423 casos autóctones e incidência de 523,3 casos por 100 mil/hab., e o município de Porto Belo 115 casos autóctones com uma taxa de incidência de 552,0 casos por 100 mil/hab. A caracterização de epidemia ocorre pela relação entre o número de casos confirmados e de habitantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o nível de transmissão epidêmico quando a taxa de incidência é maior de 300 casos de dengue por 100 mil habitantes. 

  

Na comparação com o mesmo período de 2018, quando foram notificados 1.546 casos, observa-se um aumento na notificação de casos em 2019 (7.016 casos notificados), de acordo com o Gráfico 2.

Em relação aos casos confirmados, em 2019, até o momento foram confirmados 1.898 casos no estado, sendo que no mesmo período em 2018 haviam sido confirmados 57 casos (Gráfico 3). 

 

Referente a apresentação clínica dos casos de dengue autóctones, os principais sintomas referidos são febre, cefaleia e mialgia (Gráfico 4). 

 

>> Febre de chikungunya

No período de 30 de dezembro de 2018 a 09 de novembro de 2019, foram notificados 619 casos de febre de chikungunya em Santa Catarina. Desses, 36 (6%) foram confirmados pelo critério laboratorial, 453 (73%) foram descartados e 130 (21%) permanecem como suspeitos (Tabela 4).

Do total de 36 casos confirmados até o momento, 35 são importados (transmissão fora do estado) e 1 permanece em investigação de LPI, de acordo com a Tabelas 5. 

 

Em comparação com o mesmo período de 2018, quando foram notificados 336 casos de febre de chikungunya, observa-se um aumento de 84% na notificação de casos em 2019 (619 casos notificados).

Em 2019, até o momento, foram confirmados 35 casos no estado; no mesmo período, em 2018, haviam sido confirmados 16 casos.

 

>> Zika vírus

No período de 30 de dezembro de 2018 a 09 de novembro de 2019 foram notificados 169 casos de zika vírus em Santa Catarina, sendo que 152 (90%) foram descartados, 7 (4%) foram inconclusivos e 10 (6%) permanecem como suspeitos (Tabela 6). 

Em comparação com o mesmo período de 2018, quando foram notificados 79 casos, observa-se um aumento de 114% na notificação de casos em 2019 (169 casos notificados). No ano de 2018 foi confirmado 1 (um) caso importado.

 

>> Sala Estadual de Situação de Coordenação e Controle ao Aedes aegypti/SC - SEEC

A Sala Estadual de Situação de Coordenação e Controle ao Aedes aegypti/SC, mantem-se ativa participando de comissões e projetos com as partes integrantes que envolvem a problemática do Aedes aegypti.

No dia 13 de novembro de 2019 aconteceu a reunião que atualizou os participantes sobre a situação do estado de Santa Catarina em relação aos focos e números de casos. Nessa oportunidade foi informado e realizado o convite para mobilização no dia D, que este ano será dia 23 de novembro, na ocasião é importante chamar a atenção da população para a importância de eliminar os possíveis criadouros (recipientes com água) do Aedes aegypti.

 

>> Situação das Salas Municipais de coordenação e controle do Aedes aegypti/SC

A Sala Estadual orienta que todos os municípios infestados permaneçam com reuniões periódicas das Salas de Situação Municipais, contando com a participação intersetorial, tanto dos órgãos municipais, como da Sociedade Civil Organizada, no intuito de avaliar e desencadear ações de intensificação do controle do Aedes aegypti.  

Os municípios receberam ofício informando e orientando sobre o Dia D de mobilização (23/11/2019) que busca intensificar as ações de controle do vetor em todo o território de Santa Catarina. As ações podem envolver outros setores, como Educação, Segurança, Planejamento, Meio Ambiente, Defesa Civil, Obras/Infraestrutura, entre outros, além da Sociedade Civil Organizada. Sugerimos aos municípios considerados infestados, que discutam as atividades a serem realizadas na Sala de Situação e utilizem os dados do LIRAa que demonstra quais os recipientes têm maior potencial para se tornarem criadouros do mosquito.

 

>> O que é dengue?

Dengue é uma doença infecciosa febril causada por um arbovírus, sendo um dos principais problemas de saúde pública no mundo. Ela é transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectado.

A infecção pelo vírus da dengue pode ser assintomática ou sintomática. Quando sintomática, causa uma doença sistêmica e dinâmica de amplo espectro clínico, variando desde formas mais leves (oligossintomáticas) até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. Todos os quatro sorotipos do vírus da dengue circulantes no mundo (DEN-1, DEN-2, DEN-3 e DEN-4) causam os mesmos sintomas, não sendo possível distingui-los somente pelo quadro clínico. O termo “dengue hemorrágica” deixou de ser empregado em 2014, quando o Brasil passou a utilizar a nova classificação da doença, que leva em consideração que a dengue é uma doença única, dinâmica e sistêmica. Para efeitos clínicos e epidemiológicos, considera-se a seguinte classificação: dengue, dengue com sinais de alarme e dengue grave.

Sinais e sintomas

Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40° C) de início abrupto, que tem duração de 2 a 7 dias, associada à dor de cabeça, fraqueza, a dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos. Manchas pelo corpo estão presentes em 50% dos casos, podendo atingir face, tronco, braços e pernas. Perda de apetite, náuseas e vômitos também podem estar presentes.

Com a diminuição da febre, entre o 3º e o 7º dia do início da doença, grande parte dos pacientes recupera-se gradativamente, com melhora do estado geral e retorno do apetite. No entanto, alguns pacientes podem evoluir para a forma grave da doença, caracterizada pelo aparecimento de sinais de alarme, que podem indicar o deterioramento clínico do paciente.

Quadros graves

Sangramentos de mucosas (nariz, gengivas), dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, letargia, sonolência ou irritabilidade, hipotensão e tontura são considerados sinais de alarme. Alguns pacientes podem, ainda, apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade.

O choque ocorre quando um volume crítico de plasma (parte líquida do sangue) é perdido através do extravasamento nos vasos sanguíneos, ele se caracteriza por pulso rápido e fraco, diminuição da pressão de pulso, extremidades frias, demora no enchimento capilar, pele pegajosa e agitação. O choque é de curta duração e pode, após terapia apropriada, evoluir para uma recuperação rápida; mas, pode também avançar para o óbito, num período de 12 a 24 horas.

Qualquer pessoa pode desenvolver formas graves de dengue já na primeira infecção, apesar de isso ocorrer com maior frequência entre a 2ª ou 3ª infecção, devido à resposta imune individual. No entanto, crianças, gestantes e idosos, além daqueles em situações especiais (portadores de hipertensão arterial, diabetes mellitus, asma brônquica, alergias, doenças hematológicas ou renais crônicas, doença grave do sistema cardiovascular, doença ácido-péptica ou doença autoimune), têm maior risco de apresentar quadros graves de dengue.

Atenção: na presença de sinais de alarme, o paciente deve retornar imediatamente ao serviço de saúde.

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, numa cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da dengue e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

 

>> O que é febre de chikungunya?

É uma infecção viral causada pelo vírus chikungunya, que pode se apresentar sob forma aguda (com sintomas abruptos de febre alta, dor articular intensa, dor de cabeça e dor muscular, podendo ocorrer erupções cutâneas) e evoluir para as fases subaguda (com persistência de dor articular) e crônica (com persistência de dor articular por meses ou anos). O nome da doença deriva de uma expressão usada na Tanzânia que significa "aquele que se curva".

Pessoas que estiveram, nos últimos 14 dias, em cidade com a presença do Aedes aegypti ou com a transmissão da febre de chikungunya e apresentarem os sintomas citados devem procurar uma unidade de saúde para o diagnóstico e tratamento adequados.

 

>> O que é febre do zika vírus?

É uma doença causada pelo vírus zika (ZIKAV), transmitido pela picada do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti, infectado. Pode manifestar-se clinicamente como uma doença febril aguda, com duração de 3 a 7 dias, geralmente sem complicações graves.

Segundo a literatura, mais de 80% das pessoas infectadas não desenvolvem manifestações clínicas. Porém, quando presentes, caracterizam-se pelo surgimento do exantema maculopapular pruriginoso, febre intermitente, hiperemia conjuntival não purulenta e sem prurido, artralgia, mialgia, edema periarticular e cefaleia. A artralgia pode persistir por aproximadamente um mês.

 >>Orientações para evitar a proliferação do Aedes aegypti:

  •       evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda;
  •       guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;
  •       mantenha lixeiras tampadas;
  •       deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;
  •       plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;
  •       trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;
  •       mantenha ralos fechados e desentupidos;
  •       lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;
  •       retire a água acumulada em lajes;
  •       dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em banheiros pouco usados;
  •       mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;
  •       evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;
  •       denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;
  •       caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

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