Informe Epidemiológico n°09/2019 – Vigilância da Influenza (Atualizado em 07 de junho de 2019)

Visualizar em PDF

 

Vigilância Universal da Influenza

Os dados contidos neste informe são oriundos da vigilância universal de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), que monitora os casos hospitalizados e óbitos com o objetivo de identificar o comportamento do vírus influenza, orientando os órgãos de saúde na tomada de decisão frente à ocorrência de casos graves de SRAG causados pelo vírus.

Os dados são coletados pelas Secretarias Municipais de Saúde por meio de formulários padronizados e inseridos no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe: SIVEP Gripe. As amostras laboratoriais são coletadas e encaminhadas para a análise no Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN/SC).

As informações apresentadas neste informe são referentes ao período que compreende as semanas epidemiológicas (SE) 01 a 23 de 2019, ou seja, casos com início de sintomas em 30/12/2018 até os registrados em 07/06/2019.   

A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) abrange casos de síndrome gripal que evoluem com comprometimento da função respiratória que, na maioria dos casos, leva à hospitalização, sem outra causa específica. As causas podem ser vírus respiratórios, dentre os quais predominam os da influenza do tipo A e B, ou bactérias, fungos e outros agentes.

                                                

Perfil epidemiológico

Vigilância universal de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em Santa Catarina

De 30 de dezembro de 2018 a 7 de junho de 2019 (SE 23), foram notificados 677 casos suspeitos de SRAG em Santa Catarina. Destes, 106 (15,7%) foram confirmados para influenza, sendo 86 (81,1%) pelo vírus A (H1N1) pdm09, 17 (16,0%) pelo vírus A (H3N2), 02 (1,9%) aguardando subtipagem e 01 (0,9%) pelo vírus Influenza B. Outros 343 (50,7%) casos de SRAG tiveram resultado negativo para influenza A e B (SRAG não especificada), 162 (23,9%) casos de SRAG foram ocasionados por outro vírus respiratórios e 66 (9,7%) casos se encontram em investigação, aguardando confirmação laboratorial, conforme a Tabela 1.

Tabela 1: Casos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. Santa Catarina, 2019.


 
Fonte: SIVEP GRIPE (Atualizado em: 07/06/2019). * Dados sujeitos a alterações.

     

Os municípios que apresentaram casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza foram: Chapecó com 16 casos; Blumenau com 12 casos; Joinville com 11 casos; Florianópolis com 9 casos; Brusque com 7 casos, Balneário Camboriú com 5 casos; São José com 4 casos; Itajaí, Jaraguá do Sul, e Tubarão com 3 casos cada; Pomerode com 2 casos; Araquari, Armazém, Balneário Barra do Sul, Biguaçu, Botuverá, Braço do Norte, Camboriú, Canoinhas, Concórdia, Criciúma, Cunha Porã, Dionísio Cerqueira, Flor do Sertão, Galvão, Itaiópolis, Jacinto Machado; Lages, Lauro Muller, Luiz Alves, Maravilha, Navegantes, Palhoça, Penha, São Bento do Sul, São Francisco do Sul, São João Batista, Tijucas, Timbó, Tunápolis e Turvo, com 1 caso cada; e 1 caso de paciente residente em São Paulo; como ilustra a Figura 1.

Figura 1: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo município de residência. SC. 2019

Fonte: SIVEP GRIPE (Atualizado em: 07/06/2019). * Dados sujeitos a alterações. 

Em relação à idade, os casos de SRAG confirmados por influenza acometeram indivíduos nas faixas etárias entre menor de 2 anos (6 casos); de 2 a 4 anos (2 casos); de 5 a 9 anos (10 casos); de 10 a 19 (5 casos); de 20 a 29 anos (8 casos); de 30 a 39 anos (9 casos); de 40 a 49 anos (13 casos); de 50 a 59 (19 casos) e acima de 60 anos (34 casos), como se pode ver na Tabela 2.

Tabela 2: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2019


 
Fonte: SIVEP GRIPE (Atualizado em: 07/06/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Dos 106 casos de SRAG confirmados como influenza, 77 apresentaram algum fator de risco associado, com destaque para 34 (44,2%) adultos (acima de 60 anos); 23 (29,9%) com doença cardiovascular crônica; 25 (32,5%) com Diabetes Melittus, como descreve a Tabela 3. Desses, 77 evoluíram para a cura, 13 foram a óbito e 16 estão aguardando evolução do caso. Dos pacientes que evoluíram para a cura, 48 fizeram uso do antiviral Oseltamivir(Tamiflu) em média, três dias após o início dos sintomas e 16 fizeram uso entre 4 e 22 dias após início dos sintomas de síndrome gripal (febre, tosse ou dor de garganta e, pelo menos, mais um dos sintomas: mialgia, cefaleia ou artralgia).

Tabela 3: Distribuição dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave por influenza segundo fator de risco e utilização de antiviral. SC. 2019

Fonte: SIVEP GRIPE (Atualizado em: 07/06/2019). * Dados sujeitos a alterações.

 

Perfil dos óbitos em Santa Catarina

Até o dia 7 de junho de 2019, do total de casos de SRAG notificados, 72 evoluíram para óbito. Destes, 13 (18,1%) foram confirmados por Influenza, sendo 11 (84,6%) pelo subtipo A (H1N1) pdm09 e 02 (15,4%) pelo subtipo A (H3N2).

Outros 53 (73,6%) óbitos tiveram resultado negativo para os vírus Influenza A e B, sendo classificados como SRAG não especificada, 4 (5,6%) por outros vírus respiratórios e 2 (2,8%) estão em investigação, como mostram os dados da Tabela 4.

Tabela 4: Óbitos de SRAG segundo classificação final e agente etiológico. Santa Catarina, 2019.


 
 Fonte: SIVEP GRIPE (Atualizado em: 07/06/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Os óbitos confirmados por SRAG Influenza acometeram pacientes residentes em: Blumenau, Chapecó, Joinville e Tubarão com 2 casos cada; Balneário Camboriú, Brusque, Canoinhas, Jaraguá do Sul, e São Francisco do Sul, com 1 caso cada.

Em relação à faixa etária, houve 1 caso em pessoa de 40 a 49 anos; 3 casos entre 50 a 59 anos e 8 casos em pessoas acima de 60 anos, de acordo com a Tabela 5.

Tabela 5: Óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo faixa etária (em anos) e subtipo viral. SC, 2019.


  Fonte: SIVEP GRIPE (Atualizado em: 07/06/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Dentre os indivíduos que evoluíram para óbito por influenza (13), todos apresentaram pelo menos um fator de risco para agravamento, destacando-se: adulto > 60 anos (61,5%), doença cardiovascular crônica (61,5%) e diabetes mellitus (53,8%). Tendo em vista que o indivíduo poderia ter mais de um fator de risco.

Tabela 6: Óbitos confirmados de SRAG por influenza segundo fatores de risco. SC, 2019.


  Fonte: SIVEP GRIPE (Atualizado em: 07/06/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Do total de óbitos, 8 pacientes fizeram uso de Oseltamivir, sendo quatro até 4 dias após o início dos sintomas e quatro entre 6 e 9 dias, outros 4 não fizeram uso do medicamento.

 

Comparação de casos confirmados de SRAG pelo vírus influenza 2016-2019

O monitoramento dos casos de SRAG confirmados por influenza, por meio do SINAN Influenza Web,indica que, em 2016, houve um aumento no número de casos confirmados de SRAG por influenza a partir da SE 9 (28/2 a 5/3), com um pico na SE 14 (3 a 9/4), logo após, verifica-se uma queda no número de casos até a SE 21 (22 a 28/5). Em 2017, até a SE 52, os casos apresentados permaneceram dentro do esperado para o período. Em 2018, os casos seguiram a mesma tendência de 2017 e houve uma cocirculação de ambos os vírus Influenza tipo A. Observa-se, ainda, a partir da SE 24 (10 a 16/06), um aumento de casos que decaem a partir da SE 29. Em 2019, até o momento, a circulação do vírus está dentro do esperado para o período, com predomínio do vírus Influenza A (H1N1) pdm09. 

Figura 2: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo Semana Epidemiológica (SE) do início dos sintomas. SC, 2016-2019. *

Fonte: SIVEP GRIPE (Atualizado em: 07/06/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Os meses de janeiro a abril sempre foram meses de baixa circulação do vírus influenza em Santa Catarina, tendo sido confirmados, nesse período, 8 casos em 2012, 21 casos em 2013, 7 casos em 2014 e 6 casos em 2015. Em 2016, nesse período, foram confirmados 404 casos de SRAG por influenza, uma ocorrência atípica para esse tipo de vírus. Os meses de maio a agosto são aqueles em que, historicamente, há maior circulação do vírus influenza, e a ocorrência de casos em 2016 acompanhou a tendência histórica. Em 2017, os números acompanham as tendências apresentadas até o ano de 2015 e, a partir do mês de agosto, registramos historicamente nova queda no número de casos pela diminuição da circulação do vírus. Em 2018, os números ficaram dentro do limite histórico esperado para o período, com um aumento concentrado a partir do mês de junho e, a partir de agosto, há a tendência de diminuição do número de casos. Em 2019 os casos estão dentro do esperado para o período, de acordo com a Tabela 7.

Tabela 7: Casos confirmados de SRAG por influenza de acordo com o mês de início dos sintomas. SC, 2012-2019.


Fonte: SIVEP GRIPE (Atualizado em: 07/06/2019). * Dados sujeitos a alterações.

Em relação aos tipos de vírus influenza predominantes em Santa Catarina, em 2012 houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 75 óbitos. Em 2013, o vírus influenza A (H1N1) pdm09 também predominou, com 229 casos e 34 óbitos; no entanto, os casos de influenza A (H3N2) também foram significativos, apresentando 133 casos e 6 óbitos. Em 2014, ocorreu um predomínio na circulação do vírus influenza A (H3N2), com 146 casos e 9 óbitos. Em 2015, ocorreu uma baixa circulação de ambos os vírus. Em 2016, houve o predomínio do vírus influenza A (H1N1) pdm09, com 722 casos e 114 óbitos. Em 2017, o vírus que circulou foi o A (H3N2). Em 2018, os vírus que circularam foram os da Influenza A (H3N2), Influenza A (H1N1) pdm09 e Influenza B. Em 2019 até o momento estão circulando são influenza A H1N1 e H3N2, como se pode ver na Tabela 8.

Tabela 8: Casos confirmados de SRAG por influenza segundo classificação final. SC, 2012-2019. *

Fonte: SIVEP GRIPE (Atualizado em: 07/06/2019). * Dados sujeitos a alterações.

 

Vigilância sentinela da influenza

A vigilância da influenza, no Brasil, é composta pela sentinela de síndrome gripal (SG), de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em pacientes internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e pela vigilância universal de SRAG.

A vigilância sentinela conta com uma rede de unidades distribuídas em todas as regiões geográficas do país e tem como objetivo principal identificar os vírus circulantes, além de permitir o monitoramento da demanda de atendimento por essa doença. Os dados são coletados por meio de formulários padronizados e inseridos no sistema de informação online SIVEP-GRIPE. Atualmente, estão ativas 252 Unidades Sentinelas, sendo 140 de SG, 112 de SRAG em UTI e 17 sentinelas mistas de ambos os tipos. Em Santa Catarina, temos 7 Unidades Sentinelas em três municípios:

  • Joinville: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Regional Hans Dieter Schmidt e Hospital Jeser Amarante Faria) e 1 unidade de SG (UPA 24h. Aventureiro);
  • Florianópolis: 2 Unidades Sentinelas de SRAG (Hospital Nereu Ramos e Hospital Infantil Joana de Gusmão) e 1 de SG (UPA Sul da Ilha);
  • São José: 1 Unidade de SG no Hospital Regional Homero de Miranda Gomes.

 

Considerações Finais

Em 2019, até o momento, os registros de casos de Influenza estão dentro do esperado para o período.  Pelos dados notificados, verifica-se a circulação predominante do vírus influenza A (H1N1)pdm 09 e em menor número o vírus influenza A H3N2.

O perfil de casos mostra a importância de a população procurar o serviço de saúde mais próximo da residência aos primeiros sinais e sintomas de gripe para o tratamento adequado, em especial os portadores de fatores de risco para agravamento e óbito (idosos, crianças, doentes crônicos etc.), pois estes têm maior probabilidade de apresentar complicações quando infectados pelo vírus Influenza.

Apesar de o vírus influenza intensificar-se no período de maio a agosto (inverno), ele circula todos os meses do ano, portanto, devem ser reforçadas as medidas de prevenção, principalmente lavar as mãos com frequência e evitar ambientes fechados e com aglomeração de pessoas. Também é necessário manter superfícies e objetos que entram em contato frequente com as mãos, como mesas, teclados, maçanetas e corrimãos, limpos com álcool, e não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos e talheres.

Os serviços de saúde devem estar sempre preparados para promover o atendimento adequado aos casos de Síndrome Gripal, reforçando as medidas de manejo clínico dos casos. O uso do antiviral (Oseltamivir) está indicado para todos os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações e de síndrome respiratória aguda grave, independentemente da situação vacinal ou da confirmação laboratorial. Nos pacientes com síndrome gripal sem condições e fatores de risco para complicações, a indicação do antiviral deve ser baseada em julgamento clínico, recomenda-se o tratamento ser iniciado nas primeiras 48 horas após o início da doença.

A terapêutica precoce reduz tanto os sintomas quanto a ocorrência de complicações da infecção pelos vírus da influenza, tanto em pacientes com condições e fatores de risco para complicações bem como naqueles com síndrome respiratória aguda grave. O antiviral apresenta benefícios mesmo se administrado após 48 horas do início dos sintomas.

A gripe causada pelo vírus influenza é uma doença grave que causa danos à saúde das pessoas há muitos séculos. É transmitida a partir das secreções respiratórias, podendo também sobreviver de minutos a horas no ambiente, sobretudo em superfícies tocadas frequentemente. A partir do contato com um doente ou superfície contaminada, o vírus pode penetrar pelas vias respiratórias, causando lesão que pode ser grave e até fatal, se não tratada a tempo.

A 21ª Campanha Nacional de Vacinação contra Influenza exclusiva para os grupos prioritários acabou no dia 31 de maio. A partir do dia 3 de junho, o Ministério da Saúde ampliou a vacinação para todas as faixas etárias devido a baixa cobertura vacinal. Não houve envio de novas doses de vacina aos estados. As doses utilizadas foram as que restaram da Campanha de Vacinação.

O público-alvo da campanha em 2019 compreendeu: crianças entre 6 meses e 6 anos; gestantes; puérperas – até 45 dias após o parto; indivíduos com 60 anos ou mais; trabalhadores da saúde; professores do ensino infantil, fundamental e médio de escolas públicas e privadas e do ensino superior público e privado; povos indígenas; grupos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais; adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medidas socioeducativas; população privada de liberdade; funcionários do sistema prisional; e policiais civis, militares, bombeiros e forças armadas da ativa. Salienta-se a importância da vacinação para prevenir o agravamento dos casos e a não disseminação para a população de risco.

A cobertura vacinal do estado foi de 85,2%, e a meta é de 90%. Esses dados ainda podem ser alterados, pois os municípios têm até o dia 14 de junho para inserir as doses no sistema de informação SIPNI. Quando se estratifica a cobertura, verifica-se que foi atingida nos idosos que é uma das categorias que mais tem risco de adoecerem pela influenza, abaixo a cobertura vacinal com as porcentagens alcançadas. A vacinação contra influenza mostra-se como uma das medidas mais efetivas para a prevenção da influenza grave e de suas complicações. As vacinas utilizadas nas campanhas nacionais de vacinação contra a influenza do PNI são trivalentes que contêm os antígenos purificados de duas cepas do tipo A e uma B, sem adição de adjuvantes e sua composição é determinada pela OMS para o hemisfério sul, de acordo com as informações da vigilância epidemiológica.

 Cobertura Vacinal Influenza - 2019

 Fonte: SIPNI - Dados sujeitos a alterações

OUTRAS INFORMAÇÕES

  • Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) – Vigilância de gripe em Santa Catarina: http://www.gripe.sc.gov.br
  • Protocolo de tratamento de influenza, 2017: http:// www.gripe.sc.gov.br/include/documentos/ProtocoloTratamentoInfluenza.pdf
  • Síndrome gripal/SRAG – Classificação de risco e manejo do paciente: http:// http://www.gripe.sc.gov.br/include/documentos/fluxograma_gripe_novo.pdf

 


Topo