Boletim Epidemiológico nº 04/2020 Covid-19 (SARS-COV-2) - Dados atualizados em: 08/06/2020

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Situação Epidemiológica

Conforme dados divulgados pelo Painel do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, o Brasil registrou 707.412 casos por COVID-19 distribuídos nas 27 unidades da federação, um aumento superior a 180 mil casos no período de uma semana. Dentre o total de casos no Brasil 37.134 pessoas foram a óbito, representando um aumento médio de 1.000 óbitos por dia durante o período de 01.06.2020 até 08.06.2020.  O Estado de Santa Catarina, apresenta taxa de incidência de 163 casos/100 mil habitantes, ocupando a 21ª posição no ranking entre as unidades federativas (UF), caindo uma posição em relação a semana anterior, conforme mostra a distribuição no gráfico 1.

SANTA CATARINA

O estado de Santa Catarina, registrou 11.742 casos de COVID-19, incluindo residentes de outros estados e países. A taxa de incidência passou de 132 casos/ 100 mil habitantes para 163 casos/100 mil habitantes no intervalo da semana de 01 de junho à 08 de junho de 2020. Os óbitos contabilizados entre os residentes no estado somam 177 casos com uma taxa de mortalidade de 2,5 casos/100 mil habitantes e letalidade de 1,5%.  O gráfico 2 apresenta a distribuição dos casos notificados, segundo a data de início dos sintomas, observa-se que o mês de maio foi o que apresentou o maior número de casos da série, e teve em média 233 casos novos por dia.  Como se trata de uma análise por data de início de sintomas as datas referentes ao mês de junho devem ser interpretadas com parcimônia, visto que os casos poderão ainda ser incluídos nos sistemas nos próximos dias.    

Analisando a distribuição de casos por semana epidemiológica observa-se que a 20ª, 21ª e 22ª semanas epidemiológicas, foram os períodos que ocorreram o maior número de casos desde o começo da pandemia no estado. Observa-se um incremento de 76% entre a 19 SE e a 21 SE, passando de 1.275 casos para 2.251 casos novos confirmados. Os dados da semana 22ª, 23ª e 24ª podem sofrer alterações, portanto, não refletem uma redução no número de casos, visto que somente nas semanas subsequentes será possível identificar os casos infectados (início dos sintomas) na 23 ª e 24ª semanas epidemiológicas (gráfico 3 e 4).

 

O grupo mais acometido pela infecção pela doença do coronavírus são as faixas etárias de 30 a 39 anos, representando 26,7% do total de casos e a faixa etária de 40 a 49 anos com 20,2% do total de casos. Nota-se que nestas mesmas faixas etárias o percentual de óbitos é de 5,1% e 9,0% com uma taxa de letalidade de 0,3% e 0,7%, respectivamente. Quando analisados os grupos que compõem as faixas etárias mais avançadas observa-se que o percentual de infectados é baixo, no entanto o percentual de óbitos e a taxa de letalidade são elevados, por exemplo, a faixa etária entre 70 e 79 anos representa 2,9% do total de casos de COVID-19, por outro lado é a faixa etária com maior percentual de óbitos entre todas as idades analisadas representando 23,7% do total, equivalente a uma letalidade de 12,2%. De forma similar, observa-se as faixas de idade de 80 a 89 anos e em indivíduos com mais de 90 anos (gráfico 5). Se tratando do sexo o grupo mais acometido pela doença é o sexo feminino com 52% do total de casos registrados (gráfico 6).

A tabela 1 apresenta os dados de casos por COVID-19 e sua distribuição geográfica por região de saúde. Entre os casos residentes em Santa Catarina que totalizaram 11.577 pessoas, taxa de incidência de 161,6 casos/100 mil habitantes e taxa de mortalidade de 2,5 casos/100 mil habitantes.Ao analisar estes dados é observado diferenças regionais significativas variando de 32 casos/ 100 mil habitantes (Vale do Rio do Peixe) a 1.015 casos/100 mil habitantes (Alto Uruguai Catarinense). Na região Nordeste se concentra a maior taxa de letalidade com 3,3% o que reflete uma proporção maior de óbitos em relação ao número de infectados. Enquanto a taxa de mortalidade, ou seja, a proporção de óbitos relacionada ao número populacional de residentes, é maior no Alto Uruguai Catarinense com 7,7 óbitos/100 mil habitantes, seguido pela região de Xanxerê com 6,5 óbitos/100 mil habitantes. O número de casos, taxa de incidência, número de óbitos e taxa de mortalidade por município de residência encontram-se descritas nas tabelas em anexo.

Analisando os dados em relação a proporção de casos de COVID-19 e óbitos por região de saúde em relação ao total de casos registrados de residentes no  Estado de Santa Catarina, nota-se que a região do Foz do Rio Itajaí possui a maior proporção de casos com 17,8%, seguido pelo Alto Uruguai Catarinense com 12,6% dos casos de infectados. Em relação à proporção de óbitos por região, a Foz do Rio Itajaí é a região com maior percentual de óbitos com 20,9%, seguida pela região Nordeste com 16,9% (gráfico 7).

ÓBITOS

Em relação aos óbitos o Estado registrou 177 casos desde o registro do primeiro óbito em 25 de março de 2020. Observa-se que no mês de maio foram registrados 51% do total de óbitos desde o começo da série e no mês de junho (até 08/06) já foram notificados 17,5% do total de óbitos no estado. Os gráficos 8 e 9 mostram a distribuição por semana epidemiológica, as semanas 22 (de 24/05/2020 a 30/05/2020) e 23 (31/05/2020 a 06/06/2020) apresentaram o maior número de registros com 37 e 30 óbitos, respectivamente.  Além disso, observa-se um incremento de 67% do número de óbitos entre as semanas 21 e 24 (gráfico 10).

 

Quanto ao perfil sociodemográfico dos óbitos o sexo masculino é mais afetado (57,6%) que o sexo feminino (gráfico 10), a  faixa etária predominante situa-se entre 70 a 79 anos com 23,7% (gráfico 11) e a comorbidade mais prevalente é a doença cardiovascular crônica, presente em 46,9%, seguido pela Diabetes Melittus representando 43,9%.

 

 

Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG)

O gráfico 13 mostra o número de hospitalizações por SRAG até a semana epidemiológica (SE) 24 de 2019 e de 2020. Em 2019 foram internadas 982 pessoas por SRAG e em 2020 no mesmo período foram 3.785 pessoas, uma diferença de 2.803 casos, incremento de 285% em 2020 em relação ao mesmo período de 2019. Desse total, 811 internações (21%) foram de casos confirmados para COVID-19 no ano de 2020. O gráfico 15 apresenta os casos de SRAG segundo classificação final. Os casos hospitalizados com diagnóstico de Covid-19 passaram a ser identificados a partir da SE 10 (01 a 07/03). O número de casos de SRAG não especificada apresentou um aumento considerável em 2020 quando comparado ao mesmo período em 2019, podendo estar associado à Covid-19. 

Anexos